Dúvida da guerra: uso de armas químicas ou bacteriológicas

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 15:50, por: cdb

O possível uso de armas de destruição em massa por parte do regime de Saddam Hussein contra as tropas anglo-americanas ou civis iraquianos é a única incerteza em relação a esta guerra, avaliam especialistas.

O governo de Bush e muitos especialistas militares, convencidos de que o regime iraquiano tem essas armas, acreditam que serão usadas se for encurralado pelas forças invasoras, dando assim sua última cartada.

O presidente americano George W. Bush e o secretário de Defesa Donald Rumsfeld multiplicaram nos últimos dias as advertências aos oficiais iraquianos, ameaçando julgá-los por crimes contra a humanidade se obedecerem a ordens neste sentido.

“Quem executar tais ordens será encontrado e punido”, repetiu Runsfeld diante da imprensa na última sexta-feira (21), fazendo eco às declarações de Bush, que tinha feito a mesma advertência a Saddam ao dar-lhe um ultimato de 48 horas para abandonar o país.

“Se Saddam Hussein tiver armas de destruição em massa e os meios para usá-las vai esperar até o final para fazer isso”, acredita Charles Pena, do CATO Institute, um instituto de pesquisas independente de Washington.

Segundo ele, essas armas não seriam “muito eficazes” contra tropas americanas bem equipadas em pleno deserto. Dado que Saddam “não se preocupa com a população, poderia não hesitar em usar estas armas em Bagdá para criar uma enorme crise humanitária”, acrescentou Pena.

“Sabendo que de qualquer maneira vai morrer e não se importa com o destino do povo, não teria nada a perder usando estas táticas”, avaliou o pesquisador.

Segundo Philip Gordon, analista militar da Brookings Institution de Washington, “Saddam Hussein dispõe de unidades da Guarda Republicana que parecem lhe ser fiéis, espalhadas em Bagdá e seu arredores e perfeitamente capazes de utilizar armas químicas e bacteriológicas”.

“Penso que em tal situação a opinião pública não terá mais importânica para um Saddam Hussein totalmente desesperado”, afirmou Gordon.

“Ninguém pode dizer hoje o que vai acontecer e quanto tempo pode durar”, acrescentou. “Mas o que é certo é que o uso de armas químicas e bacteriológicas pode fazer da tomada de Bagdá uma batalha que custe muitas vidas humanas.

Isso, apesar de o Pentágono poder destruir rapidamente 200 alvos selecionados na capital iraquiana, em uma guerra psicológica para persuadir o comando iraquiano a se render, afirmou Pena.

Depois que Bush afirmou ter como objetivo libertar os iraquianos, Washington não quer arrasar Bagdá. Tenta evitar os combates urbanos, pode decidir apenas sitiar a cidade, opina um especialista da Brookings Institution.

Segundo John Pike, diretor da Globalsecurity, um centro de consultores de defesa, “o fim dos acontecimentos que começaram na noite de quarta-feira (NDLR: madrugada de quinta-feira em Bagdá) está próximo” e as forças terrestres e britânicas estarão provavelmente às portas de Bagdá em três ou quatro dias.

Uma nova fase começaria então. “Saddam não é idiota, sem dúvida guardou armas químicas e bacteriológicas, das quais deve ter quantidades consideráveis”.