Duhalde tenta presidência argentina mais uma vez

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Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2002 as 19:20, por: cdb

“Tachuela” (Tachinha) é o apelido que os amigos e parentes usam para chamá-lo por causa de sua baixa estatutura e ampla cabeça. Mas fora desse círculo, a denominação mais freqüente e carregada de menos sutilezas é “El Cabezón” (O Cabeção), característica que é a delícia dos chargistas argentinos. O alvo destas ironias é Eduardo Duhalde, caudilho peronista e candidato com maior chance de tomar posse como o novo presidente da República.

Seu caminho ao “sillón de Rivadavia”, como é conhecida a cadeira presidencial, foi longo e cheio de obstáculos. Sua vida política – toda realizada dentro do partido Justicialista (Peronista) – começou como vereador em sua cidade natal, Lomas de Zamora. Em 1983 tornou-se prefeito desta cidade, uma das maiores da Grande Buenos Aires. Em 1988, o exótico governador da província de La Rioja, Carlos Menem, almejava a presidência do país, mas para isso precisava de um homem forte na Grande Buenos Aires que fosse seu vice. O homem escolhido foi Duhalde, e juntos, chegaram ao poder em 1989.

Duhalde ocupou a vice-presidência até 1991, quando deu outro grande passo, o de tornar-se governador da província de Buenos Aires. Controlar essa província implica em influir intensamente nos destinos da Argentina, já que ali habita um terço da população do país. Buenos Aires produz 36% do PIB argentino.

Além disso, ocupar o cargo de governador bonaerense quase sempre causa a comichão de aspirar à presidência do país. Com esta comichão, Duhalde preparava-se para ser candidato a presidente nas eleições de 1995. No entanto, em 1994, Menem conseguiu a modificação da Constituição Nacional, o que permitiu sua reeleição. “El Turco”, como é chamado Menem, tentou acalmar a irritação de Duhalde, afirmando em 1999, “desta vez, sim”, o apoiaria para ocupar a Casa Rosada.

Mas no início de 1999, Menem começou a mobilizar-se para alterar a Constituição mais uma vez, com a intenção de ser reeleito pela Segunda vez, esquecendo das promessas a Duhalde. Menem não conseguiu modificar a Carta Magna, mas sua aliança estratégica com seu antigo vice estava liquidada. Duhalde começou sua campanha eleitoral, sem apoio de Menem, que o sabotou constantente.

Sua relação com “El Turco” sempre foi uma relação de amor e ódio. Segundo disse à biógrafa não-autorizada de Menem, Olga Wornat, Duhalde admirava Menem e se sentia inferior a ele. “Gostaria de ser assim, como ele, extrovertido. Eu sou assim, sem carisma”, confessou uma vez Duhalde a Wornat.

Sem apoio do próprio chefe do peronismo na época, “El Cabezón” perdeu para Fernando De la Rúa. A derrota foi a pior inflingida ao peronismo em toda sua História. Assessorado por uma enorme equipe comandada pelo marqueteiro brasileiro Duda Mendonça, Duhalde obteve somente 38% dos votos, enquanto que De la Rúa o esmagou com 48%. “Sabia que perderia desde o momento em que comecei a campanha”, revelou Duhalde dias depois.

Alvo da chacota descarada de Menem e arrasado pela derrota, Duhalde declarou na época: “voltarei à docência e reabrirei o escritório de advocacia”. No peronismo, ninguém aceita perdedores e tudo indicava que Duhalde descansaria da vida política em sua chácara. Na época, o analista político Oscar Raúl Cardoso disse: “duvido que ele se resignará a ficar em sua chácara”.

Duhalde destituiu Menem do comando do peronismo, e criou uma diretoria nova para o partido. Depois disto, diante da decadência acelerada do governo De la Rúa, Duhalde entusiasmou-se, e candidatou-se ao senado. Em outubro de 2001, obteve uma vitória esmagadora sobre a União Cívica Radical (UCR) e elegeu-se senador.

Descendente de bascos franceses, Duhalde nasceu em 1941 na cidade de Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. Sua mãe, uma simpatizante da UCR, nunca votou nos peronistas. De família modesta, na juventude trabalhava como salva-vidas em um clube para poder pagar seus estudos.

Na piscina, conheceu a Hilde “Chiche” Duhalde, sua futura esposa. O encontro foi peculiar. Ostentanto um maiô flor