Drum ‘n’ Bossa conquista Londres

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Publicado sábado, 12 de abril de 2003 as 19:13, por: cdb

O drum ‘n’ bass brasileiro conquistou mais um território nesta semana na capital britânica, com a inauguração de uma nova noite dedicada ao estilo musical.

A partir desta quinta-feira, a casa noturna Cargo – uma das mais célebres de Londres – apresentará mensalmente a noite Vida, inteiramente dedicada ao estilo, que se distingüe do original por ser mais melodioso e por incorporar influências da bossa nova e de outros estilos brasileiros.

A julgar pela recepção do público londrino às apresentações das cantoras Fernanda Porto e Patricia Marx, e do DJ Bruno E, parece que a Cargo terá uma Vida longa. Segundo Fernanda Porto, a reação do público britânico costuma ser entusiástica.

“Quando vim aqui pela primeira vez, em 2001, me surpreendi. Patife já havia me falado sobre a reação do público, mas mal pude acreditar, porque o público que foi ver o show era em sua maioria britânico, e eles chegaram até a cantar as músicas, como Sambassim”, disse Fernanda Porto em entrevista à BBC Brasil.

Os artistas que pertencem à gravadora Trama, que é co-responsável pela noite Vida, defendem as peculiaridades do drum ‘n’ bass brasileiro.

“O drum ‘n’ bass feito no Brasil tem mais harmonia nas músicas, fica mais melódico. Usa vocal e outros instumentos, como violão, por exemplo. Não enfatiza tanto a parte rítmica, como o drum ‘n’ bass daqui, por exemplo. Essa é a diferença”, comentou Patricia Marx.

Mas ambas as cantoras fazem questão de frisar que o som que fazem tem influências, mas não pode ser caracterizado como sendo drum ‘n’ bass.

“Meu trabalho atualmente é muito mais brokenbeat do que drum ‘n’ bass”, comenta Patricia, se referindo ao estilo surgido em Londres, que mescla batidas da música eletrônica com estilos tão diversos como o jazz-funk dos anos 70 e o reggae.

O próximo disco da cantora contará, inclusive, com a particição de importantes expoentes do brokenbeat, como o produtor 4Hero, que assinará a produção de duas faixas.

Já Fernanda prefere não limitar seu estilo a um só gênero. “Faço canções brasileiras, mas com uma roupagem eletrônica. Nunca fui purista. A vez que eu mais consegui ficar mais próxima de alguma coisa foi com o drum ‘n’ bass. Meu desafio sempre foi misturar várias coisas.”

A ausência de purismo tem sido capaz de encher as pistas de dança londrinas, não apenas as do Cargo, mas também as de casas noturnas tracionais, como o Bar Rhumba, célebre por suas noites de drum ‘n’ bass, muitas das quais protagonizadas por DJs como Marky e Patife.

“Começamos importando. Depois, criamos um estilo que agora está contribuindo musicalmente para o próprio drum ‘n’ bass”, resume o DJ e produtor Bruno E.