Donos de postos no DF preocupados com aumento dos preços de combustíveis

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Publicado terça-feira, 18 de fevereiro de 2003 as 19:19, por: cdb

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sinpetro/DF), Carlos Recch, disse hoje no programa A Vez do Consumidor, da Rádio Nacional Brasília, que são preocupantes os aumentos constantes nos preços dos combustíveis, não só para os consumidores mas também para os donos de postos.

Segundo ele, a mudança na base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que provocou o reajuste no último domingo, em média, entre R$ 0,03 e R$ 0,05 no litro de gasolina; de R$ 0,045 para o álcool e R$ 0,005 para o óleo diesel, incomoda o sindicato, “porque os postos precisarão de mais capital de giro, e com o repasse dos preços ao consumidor pode haver queda nas vendas e vários prejuízos como conseqüência disso”.

De acordo com Recch, poderá haver outros aumentos, já que o preço do litro da gasolina está defasado em 19% e o do diesel, em 21% em relação ao mercado internacional. “A continuarem os critérios que estão sendo adotados, é possível que tenhamos um aumento a cada 15 dias, e infelizmente, de acordo com seus custos, os postos poderão repassar o acréscimo ao consumidor”, informou.

Recch informou que um dos grandes problemas para os donos de postos são as vendas a prazo com cartões de crédito. Segundo ele, é preciso pagar, antecipadamente, 3% do valor vendido, e só receber o dinheiro com 31 dias. “Se aumenta o combustível, precisamos ter dinheiro a mais em caixa para comprar, por exemplo, por R$ 0,30 uma quantidade de combustível que esperamos comprar por R$ 0,20, sem ainda ter recebido pelo combustível que vendemos no mês. Isso gera prejuízos”, explicou.

Segundo o presidente do Sinpetro/DF, já é possível notar uma redução no consumo de combustíveis no DF. “Com as altas expressivas que aconteceram nos últimos seis meses, o consumidor tem deixado de abastecer, ou tem abastecido menos” disse. Ele falou ainda com isso, as pessoas estão procurando outras alternativas de transporte, como o rodízio de carros entre amigos.

“Há também o transporte coletivo do Distrito Federal, que está em condições muito ruins, mas que ainda assim tem muita gente preferindo usar a sair de carro particular. Seria melhor que fosse calculado um único aumento dentro de um valor aceitável, do que o consumidor ficar levando um susto toda semana e ir desanimando de usar seu automóvel”, ressaltou.