Dólar fecha semana em alta recorde no Brasil e bolsas despencam no mundo

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Publicado sábado, 15 de setembro de 2001 as 11:25, por: cdb

Após chegar a ser cotado a 2,72 reais pela manhã, o dólar cedeu perante mais uma intervenção do Banco Central mas fechou cotado a inéditos 2,69 reais para venda no câmbio oficial, uma valorização de 0,93 por cento em relação à quinta-feira, quando os negócios sofreram nada menos do que três intervenções da autoridade monetária.

Foi a maior cotação registrada em um fechamento desde a criação do real, em 1994.

Na semana, a valorização da moeda norte-americana foi de 4,18 por cento com os temores de uma possível recessão mundial — causada pelos atentados nos Estados Unidos e os conseqüentes ainda mais problemas à maior economia do mundo — que afetaria todos os mercados mundiais.

No paralelo, a moeda foi comprada a 2,65 reais e vendida a 2,70 reais.

Apesar da “queda-de-braço” que o BC tem travado com o mercado — desde terça-feira, dia dos desastres, a autoridade monetária despejou quase 5 bilhões de dólares no mercado, muito mais do que os 50 milhões diários com que vinha intervindo desde julho — o dólar deve continuar subindo, principalmente enquanto continuarem as incertezas sobre como e contra quem os Estados Unidos retaliará o ataque, até hoje o maior de sua história.

“Depende de como as coisas evoluírem até segunda-feira, mas acho que isso (a disparada descontrolado do dólar) vai acontecer de novo”, ponderou um operador em São Paulo.

A Bolsa de Valores de São Paulo — que além de afetada pelos temores de recessão e guerra ainda perdeu o referencial do mercado norte-americano, já que a Bolsa de Valores de Nova York e o Nasdaq estão fechados desde terça-feira e só devem reabrir na segunda-feira — sofreu uma perda acumulada na semana de 18,1 por cento e atingiu 10.034 pontos, seu menor nível em mais de dois anos.

Durante o pregão, o Ibovespa chegou a operar abaixo dos 10 mil pontos, caindo mais de 7 por cento, para 9,532 pontos. No fechamento, o índice recuperou parte das perdas e encerrou o dia em queda de 2,63 por cento.

As maiores quedas do dia foram entretanto espantosas. As ações preferenciais da CRT Celular perderam mais da metade de seu valor, caindo 54,3 por cento diante da retirada da oferta de compra do restante de suas ações pela Telefónica. A Tele Leste Celular registrou perda de 27,5 por cento.

Entre as mais negociadas do dia, Telemar PN perdeu 0,59 por cento e Petrobras PN 1,92 por cento. Vale do Rio Doce PN subiu 1,05 por cento.

Bolsas na Europa desabam
Sem o referencial norte-americano e diante dos temores de recessão mundial, as principais bolsas européias voltaram a despencar nesta sexta-feira, encerrando a semana no vermelho.

Em Londres, o FTSE perdeu 3,80 por cento, para 4.755 pontos. Já em Paris, o índice CAC-40 caiu 4,97 por cento, para 3.909 pontos.

Na Alemanha, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt despencou 6,29 por cento e fechou com 4.115 pontos.

Na Bolsa de Valores de Lisboa e Porto, em Portugal, o índice PSI-20 desvalorizou 4,48 por cento e fechou a 6.484 pontos, a menor pontuação em quatro anos.