Dólar agora varia segundo movimentos eleitorais

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Publicado segunda-feira, 12 de agosto de 2002 as 10:47, por: cdb

Passada a euforia com o acordo de US$ 30 bilhões do Fundo Monetário Internacional, a atenção dos investidores e analistas estrangeiros nesta semana deve se voltar, mais uma vez, para o quadro eleitoral brasileiro. A alta do dólar, na sexta-feira, já demonstrou essa tendência, que, segundo os analistas, deve se manter.

“Agora, as atenções retornam para as eleições”, afirma Pedro Regina, sócio do Archorage Bank, de Londres. Isso significa que o humor do mercado deve se pautar – ou, pelo menos, se justificar – pelas pesquisas eleitorais e pelas declarações dos candidatos à Presidência.

Dúvidas

Na opinião de analistas, o acordo com o FMI evitaria um agravamento da situação brasileira, ao menos no curto prazo, mas não resolve questões que devem voltar ao centro do debate econômico.

“A dúvida sobre qual será a política econômica do próximo governo permanece mesmo com o apoio inicial dado pelos candidatos da oposição ao acordo”, avalia Niel Dougall, analista do Deutsch Bank, em Londres.

“E essa incerteza deve manter os mercados voláteis”, completa ele.

Para Pedro Regina, no entanto, mesmo que algumas dúvidas permaneçam, a base de discussão melhorou.

“Os candidatos confirmaram que vão manter os contratos estabelecidos. A questão é como eles vão financiar os seus governos.”

Para ele, isso faz com que o debate se torne mais racional e positivo.

O mercado de dólar e o risco-país (avaliação sobre o risco que um investidor corre ao colocar seu dinheiro em papéis da dívida brasileira) devem continuar sendo os termômetros da avaliação que os investidores e analistas fazem da economia.

Linhas de crédito

Uma das dúvidas em relação à moeda americana é se os exportadores vão voltar a obter linhas internacionais de crédito – o que poderia reduzir a pressão sobre o mercado cambial e, conseqüentemente, derrubar a cotação.

Antes do pacote do Fundo, as linhas de financiamento externo estavam completamente fechadas.

O presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan, diz que na semana passada surgiram os primeiros sinais positivos.

“Depois do acordo, apareceram as primeiras linhas de crédito, ainda muito caras”, afirma ele. “Mas pelo menos elas apareceram, o que não estava ocorrendo uma semana antes.”

Mas nem Furlan nem os analistas acreditam num restabelecimento amplo das linhas de financiamento no curto prazo.

As empresas de maior porte e com maior tradição tendem a recuperar parte de seus financiamentos, acreditam, mas o volume de recursos disponíveis para o país deve continuar baixo.