Dois presos são assassinados  em presídio de João Pessoa

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Publicado segunda-feira, 7 de janeiro de 2013 as 12:19, por: cdb
Dois presos foram assassinados, no interior da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa
Dois presos foram assassinados, no interior da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa

Dois presos foram assassinados no domingo, no interior da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, capital da Paraíba. Conhecida como Presídio do Roger, a unidade prisional tem capacidade para 650 detentos, mas abriga 900. Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), o crime ocorreu após o fim do horário de visitas, por volta das 16h.

Os corpos foram encontrados no Pavilhão 4, quando os agentes penitenciários acompanhavam o retorno dos detentos às celas. De acordo com a secretaria, não houve motins ou qualquer tumulto. Acionados para reforçar a segurança, policiais do Grupo Penitenciário de Operações Especiais (Gpoe) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) revistaram todo o pavilhão em busca de armas.

As mortes foram causadas por perfurações causadas por “armas brancas improvisadas”, segundo a assessoria. De acordo com a imprensa paraibana, um dos mortos teria sido degolado, mas a secretaria não confirma a informação.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para identificar os assassinos e apurar as causas do crime. A secretaria também promete abrir, ainda hoje, uma sindicância interna para checar os fatos. Mesmo sem muitos detalhes sobre a ocorrência, o órgão trata as mortes como “atípicas”, já que os dois mortos, segundo a assessoria, pertencem a uma mesma facção criminosa, a chamada Al Qaeda.

O grupo é uma das três principais facções criminosas que a secretaria estadual reconhece disputar o domínio do tráfico, entre outros crimes, na Paraíba, sobretudo na periferia da região metropolitana de João Pessoa e de Campina Grande  segunda maior cidade do estado. As outras duas facções são Estados Unidos e a ramificação paraibana do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa criada em São Paulo, mas que já expandiu a atuação para outras unidades da Federação.

Em fevereiro de 2011, após inspecionar a unidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou que a penitenciária fosse desativada por falta de condições mínimas para abrigar os presos. No relatório final do mutirão carcerário realizado no estado, o CNJ aponta que, além de as instalações serem “muito antigas, precárias e sem manutenção”, 28 presos haviam sido mortos nos 18 meses anteriores à inspeção, feita em janeiro de 2011.