Dois palestinos morrem na passagem de um ano da Intifada

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Publicado sexta-feira, 28 de setembro de 2001 as 19:57, por: cdb

Dois palestinos foram mortos e dois outros ficaram feridos em choques com israelenses nesta sexta-feira, no primeiro aniversário do levante palestino ou intifada.

A data está sendo marcada pela violência e por manifestações na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Um dos palestinos foi morto em Hebron, durante uma troca de tiros com o Exército de Israel, e um jovem de origem palestina foi morto durante um protesto em Belém, reprimido pelas autoridades israelenses.

Em Hebron, palestinos atiraram contra um carro e feriram levemente dois israelenses; pelo menos 20 pessoas ficaram feridas em confrontos na cidade de Khan Younis, na Faixa de Gaza.

Um outro palestino ficou gravemente ferido perto da cidade de Rafah.

Cessar-fogo

Segundo analistas, atos de violência como estes estão enfraquecendo ainda mais o cessar-fogo, declarado há poucos dias pelos dois lados.

O aniversário acontece dois dias depois do encontro do líder palestino, Yasser Arafat, com o ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres, no qual foram acertadas medidas para garantir a trégua.

Os Estados Unidos estão pressionando para que o cessar-fogo seja mantido, pois este seria um passo importante na campanha do governo americano contra o terrorismo.

O levante palestino começou em 28 de setembro do ano passado, logo após uma visita do então líder da oposição e atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ao Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental.

O local é considerado sagrado tanto por judeus como por muçulmanos.

Mais de 800 mortos

Em um ano, os confrontos já mataram mais de 800 pessoas, incluindo 600 palestinos.

Palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia fizeram três minutos de silêncio em protesto contra a presença de forças israelenses nos territórios ocupados.

Israel colocou um contingente extra de cerca de 1.000 policiais nas ruas de Jerusalém.

O acesso à Esplanada das Mesquitas ou Monte do Templo está restrito a homens de mais de 40 anos e com carteira de identidade de Israel; e a palestinos que vivem na parte árabe de Jerusalém Oriental.

Nesta sexta-feira, israelenses e palestinos retomaram as reuniões para discutir formas de cooperação na área de segurança.

Os encontros acontecem em Tel Aviv e contam com a participação de representantes da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos.