Dois anos sem Cássia Eller

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Publicado segunda-feira, 29 de dezembro de 2003 as 11:19, por: cdb

Cássia Eller foi considerada a mais importante cantora do universo pop/rock dos anos 90. Talentosa, ela atravessava sua melhor fase como intérprete e, pela primeira vez em toda a sua carreira, batia recorde na venda de discos. Nesta segunda-feira, 29 de dezembro, completa dois anos do falecimento da cantora.
 
– Eu não sou marginal, eclética, porra nenhuma do que alguns dizem. Eu sou popular, cara – declarou à RockBrasília, quando esteve em 2000 fazendo um show em Brasília.
 
O seu último trabalho, o disco “Acústico“, vendeu que 400 mil discos. O anterior, “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo“, vendeu nada menos que 300 mil discos em apenas três meses. “O segundo sol”, de Nando Reis, estava então estourada nas rádios, de Norte a Sul do país. O DVD do show “Acústico” é o mais vendido em 2001 da gravadora Universal.
 
Cássia tinha razão quando declarou que era uma cantora popular. Toda a sua discografia, oito álbuns, quebrou em 2001 a barreira de um milhão de cópias vendidas.
 
– Guardadas as devidas proporções, meus discos são como os dos Beatles e os da Legião Urbana, o pessoal vai comprando, independente se foi lançado agora ou não – disse Cássia.
 
Cássia chegou a pensar em largar tudo. “Tinha acabado de ter o Chicão (Francisco Eller, filho da cantora) estava desmotivada e muito cansada. Pensei em largar tudo e ficar só cuidando do meu filho”, confessou.
 
Mãe coruja, ela explicava que a opção pelo canto um pouco mais suave, registrado em Com você… veio em decorrência das observações de Chicão.
 
– Ele veio descobrir que eu era cantora na escola, chegou em casa e me pediu para ouvir um disco meu. Colocou o CD e aí me disse: “mãe, você não canta, você berra”, contava Cássia, entre risos, para logo emendar: “Para ele, cantora era a Marisa Monte”. O pequeno Chicão, de oito anos, era fã dos últimos trabalhos.
 
A cantora nasceu no Rio de Janeiro e foi criada ao redor do Brasil. Homossexual assumida, vivia há dez anos com a companheira Maria Eugênia. “Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas. Tem de saber lidar com o preconceito”, afirma Cássia.
 
O filho teve com o baixista Otávio Filho, que morreu em acidente de carro pouco antes do nascimento de Francisco.
 
Frases da cantora
 
Cássia Eller era meio desbocada, mas, surpreendentemente, era tímida no convívio com estranhos. Mas em entrevistas, não se furtava em declarar o que pensava.
 
“Esta semana mesmo já comecei a ligar para umas pessoas e pensar no próximo álbum” – Dezembro de 2001
 
“O disco virá assim mesmo, pesado. Gosto das baladas, adoro música brasileira e samba. Mas me sinto no céu quando canto rock-and-roll” – Dezembro de 2001
 
“Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas. Tem de saber lidar com o preconceito” – Maio de 2001
 
“Pedi músicas faz um bom tempo para o Chico Buarque e Djavan, mas até agora eles não me mandaram” – Maio de 2001
 
“No meu tempo ouvíamos Chico Buarque nas rádios. Não tem jeito, a coisa mudou mesmo. Mas ainda assim adoro rádio” – Maio de 2001
 
“Não vejo o que faço como uma carreira. Faço música por que gosto muito, me dá muito prazer” – Maio de 2001
 
“O que mais me preocupo na educação de meu filho é ensiná-lo a respeitar as coisas” – Maio de 2001
 
“Sou a favor de toda música espontânea, que não foi criada por gravadoras”, diz Cássia, apoiando o funk carioca – Maio de 2001
 
“Pirei quando ouvi o Itamar Assumpção pela primeira vez. Aquele jeito de compor todo esquisito. Acho fantástico” – Maio de 2001
 
“Acho ótimo a pirataria, acho ‘o bicho’. O cara não tem dinheiro, nem nada. Vai ficar sem ouvir música?” – Maio de 2001
 
“Sempre tento fazer shows no exterior,