DNA de marsupial pode ajudar na cura do câncer de pele

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Publicado quinta-feira, 10 de maio de 2007 as 17:26, por: cdb

Um marsupial da América do Sul chamado no Brasil de cuíca teve seu código genético revelado e, segundo cientistas, a descoberta pode ajudar no combate de doenças como câncer de pele, colesterol alto e paralisia espinhal. Esta é a primeira vez que o DNA de um marsupial tem sua seqüência desvendada. A pesquisa foi publicada nas revistas científicas Nature e Genome Research.

O pequeno marsupial é usado em laboratórios como um “modelo” experimental para o estudo das causas de doenças humanas, como câncer e problemas neurológicos.

O estudo é parte de um grande projeto para comparar a bioquímica de uma série de animais, como a do Homo sapiens, para entender melhor como o corpo humano é construído e mantido e como todas as espécies se diferenciaram.

– A idéia é obter a informação da seqüência de genoma de organismos que são parentes apropriadamente distantes de nós na árvore da vida -, disse Adam Felsenfeld, do Instituto Nacional de Pesquisa em Genoma dos Estados Unidos.

– Por exemplo, ao enfileirar as seqüências é possível detectar regiões do genoma que não mudaram, estão conservadas (…) ou então que estão mudando rapidamente -, acrescentou.

O trabalho para decifrar o genoma do marsupial foi liderado pelo Instituto Broad do MIT e Harvard em Cambridge, Massachusetts.

O marsupial – cujo nome científico é Monodelphis doméstica – vive em árvores da América do Sul, é pequeno e de pêlo cinzento. A facilidade de reprodução, entre outros fatores, torna o pequeno marsupial a criatura predominante em estudos de laboratório do mundo todo.

Doenças

Os pequenos marsupiais são os únicos mamíferos – além dos seres humanos – a desenvolverem o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele, apenas como resultado à exposição à luz ultravioleta.

Como o câncer é causado por danos ao DNA, o genoma vai aumentar a utilidade do marsupial como um organismo de laboratório para desenvolvimento de novos tratamentos.

Os recém-nascidos do marsupial não têm sistema imunológico e, ainda assim, sobrevivem em um ambiente aberto, fora da mãe. Observando os genes, os cientistas poderão decifrar a razão de tanta resistência.

A pesquisa também mostrou que os recém-nascidos do marsupial são capazes de fazer crescer novamente a medula espinhal, mesmo se esta for cortada.

– O genoma não nos disse exatamente como eles fazem isso, mas nos fornece um projeto para mais estudos e para sermos capazes de aplicar alguns destes conhecimentos aos humanos -, disse Chris Gunter, editor de biologia da Nature.