Divergências entre Rosinha e PT começaram na posse

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Publicado sexta-feira, 18 de abril de 2003 as 12:53, por: cdb

A governadora do Rio, Rosinha Matheus (PSB) começou a criticar o PT logo que assumiu o governo. Ela acusou Benedita da Silva (PT), sua antecessora, de ter deixado apenas R$ 20 milhões em caixa, valor que seria insuficiente para pagar o salário dos funcionários. Rosinha também disse que a petista não pagou uma parcela da dívida do Estado com a União.

Benedita era vice de Anthony Garotinho (PSB), marido de Rosinha, e assumiu o governo quando ele saiu do cargo para se candidatar à Presidência.

O atraso no pagamento da dívida do Estado levou o governo federal a bloquear o repasse de R$ 85,8 milhões referentes à arrecadação de ICMS do Rio.

Rosinha disse que o bloqueio era “perseguição, não a mim, mas aos funcionários públicos [do Rio]”. Uma liminar do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ilmar Galvão desbloqueou o dinheiro.

Um dia após o anúncio da liminar, Rosinha voltou a criticar Benedita, acusando-a de ter descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal. “A ex-governadora não pagou ao Banco Central desde setembro. Não pagou a dívida com a União. Por que não bloquearam com ela?”

Na época, tributaristas ouvidos pela Folha disseram que a lei de fato havia sido descumprida, mas não souberam dizer se a culpa era de Benedita ou de Garotinho, que deixou o cargo em abril de 2002.

Desbloqueado o ICMS, o governo federal suspendeu, no dia 10 de janeiro, o repasse de R$ 12 milhões do Fundo de Participação dos Estados e do IPI, do qual 10% da arrecadação deve ser repassada aos Estados.

No final de janeiro, o Rio deixou de pagar mais duas parcelas da dívida com a União. Na mesma época, o STF suspendeu a liminar que proibia a retenção do ICMS pela União.

Na última terça-feira, Rosinha voltou a atacar o governo, dizendo que a cooperação entre o governo federal e o do Rio no combate à criminalidade não saiu do papel e que a única colaboração veio do superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado Marcelo Itagiba, “por seu esforço pessoal”.

Na reunião que Lula teve com os governadores anteontem para discutir as reformas tributária e previdenciária, Rosinha protagonizou o momento mais crítico. Batendo na mesa, ela reclamou que o Rio perde com o atual sistema de cobrança de ICMS sobre o petróleo, porque, embora o Estado seja o maior produtor, não possui refinarias, e o ICMS é cobrado no local de refino.

Lula não teve divergências só com a governadora. Garotinho também criticou o governo. Recentemente, chamou o presidente de “petecano” -um tucano com uma estrela no bico- em alusão à semelhança da política econômica petista com a do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No Congresso, Garotinho dificultou a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que altera o artigo 192 da Constituição, articulando votos contrários entre deputados do PSB.