Distrito de Barão Geraldo festeja a lenda “Boi Falô” nesta sexta

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Publicado quarta-feira, 4 de abril de 2012 as 08:15, por: cdb

Distrito de Barão Geraldo festeja a lenda “Boi Falô” nesta sexta

04/04/2012 – 11:12

  

 

Doni Vieira

 

Apesar de ser uma narrativa fantasiosa que surge no universo imaginário popular e geralmente transmitida de forma oral, as lendas permanecem vivas ao longo do tempo. Um exemplo disso é a do “Boi Falô”, no Distrito Barão Geraldo, tradicionalmente festejada no feriado religioso da Paixão de Cristo.

 

A 17ª edição do evento será nesta sexta-feira, 6 de abril, das 9h às 14h, na Escola Estadual de Barão Geraldo de Rezende, situada na Rua Jerônimo Pátaro, s/nº, no centro do distrito.

 

A festa é realizada por meio de trabalho conjunto da subprefeitura local, vinculada à Secretaria Municipal de Serviços Públicos, moradores e empresários do distrito. Conforme os organizadores, a programação do “Boi Falô” tem sido prestigiada por um grande número de pessoas de Campinas e outras cidades da região.

 

Entre as atividades culturais, garantem presença o grupo musical Savuru e a Orquestra Cabocla. A maior atração da festa e muita aguardada pelo público todos os anos é a tradicional macarronada com sardinha, servida gratuitamente por volta das 12h. Trabalham dedes cedo no preparo da refeição uma equipe de voluntários. Este ano, serão utilizados 900 quilos de macarrão e vários quilos de ingredientes. Serão oferecidos também refrigerantes.

 

Cerca de 70 voluntários participarão da realização da festa. Além disso, uma barraca vai comercializar, a preços populares, artesanatos feitos pelas crianças das unidades de ensino EE Barão Geraldo de Rezende e Emei Agostinho Pátaro.

 

Lendas

 

Existem inúmeras lendas brasileiras, como mula sem cabeça, saci pererê, cuca e a campineira famosa: “Boi Falô”.

 

O professor de literatura e escritor, Gerson Firmino, explica que não se pode dizer que as lendas sejam uma mentira e nem uma verdade absoluta. “O certo é que elas combinam fatos reais e históricos com irreais, que são produtos da imaginação e aventura humana, passando de uma geração para outra”, enfatizou.

 

Segundo o professor, lendas existem em toda parte do mundo, fornecendo explicações plausíveis e aceitáveis para coisas que não têm explicações científicas. Uma das mais conhecidas é a “Fonte da Juventude”.

 

A lenda “Boi Falô”

 

Conta-se que a lenda do “Boi Falô” surgiu no ano de 1888, na fazenda Santa Genebra, de propriedade do Barão Geraldo de Rezende. Um dos escravos que trabalhava nas plantações de cana de açúcar e café foi obrigado pelo capataz a ir ao pasto e atrelar um boi para arar a terra em uma sexta-feira santa.

 

Esse escravo, chamado Toninho, um rapaz franzino e muito obediente, foi então colocar a canga no animal, que estava deitado sob uma frondosa árvore. Por mais que o escravo insistisse, o boi não saia do lugar. Foi ai que o animal olhou para o escravo, deu um mugido alto e disse: hoje é dia santo, é dia do Senhor, não é dia de trabalho.

 

O escravo saiu correndo para sede da fazenda, gritando: o boi falô, o boi falô! Segundo a lenda, o capataz ainda teria tentado castigar o Toninho pela insubordinação, mas ele correu para a Casa Grande à procura do Barão Rezende que, ao ouvir seu relato, teria lhe dado razão e ordenado que ninguém trabalhasse naquele dia.

 

O escravo passou a trabalhar dentro da casa por muitos anos, até sua morte, e, em consideração aos seus bons serviços, acabou sendo enterrado junto ao túmulo do Barão, no cemitério da Saudade, em Campinas.

 

A lenda faz parte do folclore do Distrito de Barão Geraldo. O túmulo do escravo Toninho é um dos mais visitados no Dia de Finados, principalmente por aquelas pessoas que querem alcançar uma graça.