Discussão sobre taxa de juros mobiliza o mercado

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Publicado segunda-feira, 20 de agosto de 2001 as 18:07, por: cdb

Tudo o que se comenta no mercado, esta semana, deixando para o Congresso um papel coadjuvante, é a reunião do Conselho de Política Monetária, depois de o presidente Fernando Henrique Cardoso mostrar-se preocupado com o fraco desempenho da economia no trimestre passado e pedir uma “sintonia fina” para o país continuar crescendo.

“As seguidas manifestações do presidente Fernando Henrique Cardoso favoráveis à redução dos juros mostra que a decisão do Copom vai mobilizar atenções do governo e de aliados políticos, sobretudo depois do resultado do PIB no segundo trimestre”, avalia o analista político Etevaldo Dias, da consultoria Santafé Idéias.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a economia brasileira cresceu apenas 0,79 por cento no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2000.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto teve uma contração de 0,99 por cento, a primeira desde o quarto trimestre de 1998. Os números ficaram muito abaixo das expectativas do mercado.

Dias lembrou, porém, que, se os políticos querem que os juros caiam, têm de haver uma contrapartida.

A única de maior relevância, no momento, seria a aprovação do imposto dos combustíveis, que substituirá a Parcela de Preço Específico (PPE) –a chamada conta petróleo, que compensa a diferença do preço internacional do petróleo do praticado no país– e permite a abertura do mercado de petróleo às importações em 2002. Mas a aprovação ainda depende de um entendimento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os comentários de Cardoso vieram após a divulgação dos números do PIB, o que aumentou a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não aumente as taxas apesar das fortes pressões inflacionárias. Nos primeiros sete meses do ano, a inflação ficou em 4,32 por cento, enquanto a meta do ano é de 4 por cento, com 2 pontos percentuais de tolerância.

“As especulações de que o Banco Central não vai aumentar as taxas de juros esta semana aumentaram com o comentário do presidente Cardoso sobre um corte de taxas para impulsionar a economia”, disse o estrategista-chefe para a América Latina da IdeaGlobal, Douglas Smith.

Uma pesquisa feita pela Reuters com 15 economistas mostrou que 14 deles esperam que a taxa Selic seja mantida nos atuais 19 por cento ao ano pelo Copom na próxima quarta-feira.

De qualquer modo, as atividades parlamentares da semana estarão concentradas em comissões de ambas as Casas do Congresso, sem nenhum destaque de votação em plenário.

A seguir os principais eventos da semana no Congresso:

TERÇA-FEIRA:

* Imposto dos combustíveis: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria o imposto que substitui a PPE pode ser votada em comissão especial da Câmara. Não há espaço regimental para adiamentos, mas a CNI e a Receita Federal ainda negociam um acordo sobre o texto.

* CPMF: a proposta de prorrogação da cobrança da CPMF deve começar a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

* Banpará: a comissão de investigação do Conselho de Ética no Senado ouve os depoimentos do ex-presidente do BNDES Francisco Gros e do ex-procurador do BC José Coelho Ferreira. Gros e Coelho assinaram parecer do BC que não apontava o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) no caso de desvios de verbas do Banpará.

* Ética: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve concluir votação dos destaques apresentados ao código de ética. O destaque mais polêmico é o que barra a divulgação dos bens dos parlamentares.

QUARTA-FEIRA:

* Imposto de Renda: a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados volta a analisar o projeto que propõe a correção da tabela de descontos de Imposto de Renda da Pessoa Física, congelada desde janeiro de 1996. O governo tenta empurrar a votação para 2002.

* Lei das SA: as comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição e Justiça do Senado realizam nov