Direção da Eletrobrás faz mea-culpa na crise cultural

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Publicado quinta-feira, 8 de maio de 2003 as 11:55, por: cdb

Foi uma reunião de confraternização e mea-culpa. O presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, reconheceu nesta quarta, para uma comissão de artistas e para o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, a necessidade de estabelecer novos critérios para a aplicação dos R$ 18 milhões na área cultural em 2004.

Ele também reiterou a importância do papel do ministério e lamentou que o contato com seus representantes tenha ocorrido só agora, quando o governo já completou quatro meses e após um impasse com os profissionais de cultura. Os atores Marco Nanini e Marieta Severo, o cineasta Murillo Salles e o produtor Luiz Carlos Barreto participaram do encontro.

A Eletrobrás foi a primeira estatal a declarar obediência às diretrizes da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência para a área de patrocínios, que exigiam contrapartidas e conteúdo de inclusão social nos projetos. Profissionais do setor reagiram, provocando uma crise que só acabou na terça-feira, com o recuo do ministro-chefe da secretaria, Luiz Gushiken.

– Quisemos estabelecer critérios porque, na gestão anterior, o presidente da Eletrobrás tomava as decisões como um mecenas – disse Pinguelli – Mas fomos cartesianos, até porque não entendemos de produção cultural. Somos engenheiros.

À noite, artistas reuniram-se para comemorar a mudança das regras.

– Foi uma vitória de Luiz Gushiken, que corrigiu um equívoco, declarando que cabe ao ministério decidir a política do setor – disse o cineasta Cacá Diegues, primeiro a criticar a Secom.