Dirceu muda o tom durante entrevista

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 08:55, por: cdb

Mudando o tom em relação à oposição e, principalmente, em relação às pretensões petistas de se manter no poder central, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, procurou mostrar que o PT apresentou propostas alternativas na votação das reformas durante o governo FHC. Na edição de domingo de O Estado de S.Paulo, Dirceu se recusara a falar sobre a participação do PT na votação, classificando a pergunta como “frivolidade”. “No caso da reforma tributária, o PT não só apoiou como apresentou propostas, votou”, frisou José Dirceu. “Destaca-se mais que o PT ficou contra. Não. Tinha as propostas alternativas do PT, no caso da reforma Previdenciária”, disse, mais comedido, durante entrevista no Espaço Aberto, da Globo News.

O ministro se defendeu das acusações de imobilismo do atual governo. Ele afirmou que apesar de o PT ter assumido o poder com conhecimento prévio dos problemas do País ainda assim seria normal levar algum tempo para redefinir as prioridades de investimentos. “O Brasil estava parado, o BNDES estava parado. E nós estamos recolocando o BNDES em condições de voltar a definir prioridades de investir”, destacou Dirceu. “Para cem dias, acredito que nós estamos fazendo aquilo que é preciso fazer.”

José Dirceu também lembrou que somente com as reformas tributária e previdenciária haverá um volume maior de recursos para investimentos públicos. “Eu tenho certeza de que com as reformas previdenciária e tributária vamos criar condições para o governo ter recursos em 2004, 2005 e 2006 para fazer investimentos, em parceria com a iniciativa privada, na infraestrutura do País”, ponderou.

Ele defendeu que parte dos recursos destinados ao rombo da Previdência sejam destinados à parte social e à infraestrutura.

O líder petista voltou a afirmar que o governo já tem uma base de sustentação suficiente para aprovar as reformas constitucionais, embora desta vez não tenha desdenhado os votos da oposição. “Nós temos maioria no Congresso”, salientou Dirceu. “Nós estamos terminando a integração do PMDB na base de apoio ao governo. Com o PMDB, com o apoio do PPB, que tem apoiado o governo, nós temos força para aprovar as emendas constitucionais”, prosseguiu.

O ministro-chefe da Casa Civil disse ainda que o Brasil precisa reduzir a sua vulnerabilidade a crises externas para retomar um novo ciclo de crescimento econômico. “Eu acho que os problemas são nossos. Nós precisamos trabalhar com o cenário de crise nos próximos dez anos, porque sempre haverá crises internacionais. Então vamos cuidar do Brasil”, propôs. “Eu acho factível, nos próximos 25 anos, o Brasil crescer a uma média de 7% a 10%. O Brasil é o único país, tirando os países desenvolvidos e a própria China, que tem condições para isso.”

José Dirceu encerrou a entrevista desconversando quanto a possibilidade de já estar buscando a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. “Nós estamos trabalhando com um projeto de quatro anos. Tem um plano de vôo para este ano e um programa para quatro anos”, garantiu o líder petista. “A questão de reeleição ou não nós vamos tratar no momento adequado.”