Dirceu admite que PT fica mais ‘light’ com sua eleição

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Publicado segunda-feira, 17 de setembro de 2001 as 09:47, por: cdb

O PT vai ter nova fisionomia em 2002. Antes mesmo da apuração final dos votos dos filiados petistas, que até às 20h30 deste domingo apontavam para a reeleição do deputado José Dirceu (SP) para a presidência nacional do partido, Luiz Inácio Lula da Silva deu o aviso. “A cara do PT será o que a sociedade espera de nós: um partido mais maduro, mais consciente e responsável, que simboliza a ética e o combate à corrupção”, afirmou.

Pré-candidato à Presidência da República, ele admitiu até mesmo que a legenda está mais “light” e aproveitou para dar uma estocada no governo federal. “Nesse momento de apagão, o Brasil precisa de alguma coisa light”, ironizou.

Lula fez as afirmações no diretório de São Bernardo do Campo, berço do PT no ABC paulista, logo que chegou para votar em Dirceu e em outros integrantes da ala moderada. Foi recebido aos gritos de “presidente, presidente” pelos militantes. Abraçado e beijado, levou mais de dez minutos para conseguir chegar à urna eletrônica.

Eleição inédita

Das 9 às 17 horas, o PT realizou eleições diretas em todo o País, aberta aos filiados, para renovar suas direções. Foi um processo inédito na história partidária brasileira, que contou até mesmo com 1.100 urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além do novo presidente da legenda, os petistas foram às urnas para escolher quem comandará o partido até 2004 em 27 seções estaduais e 2.834 municipais.

Dirceu também concordou que o PT e o Brasil mudaram nos últimos 21 anos. “O PT não é um partido de vanguarda marxista-leninista: é um partido popular, aberto à sociedade, e está preparado para governar o País.”

Não é sem motivo que Lula e Dirceu têm um discurso cada vez mais light. Se a ala moderada passar no teste das urnas, aumentando ou até mesmo mantendo a atual correlação de forças, estará credenciada para definir o tom do programa de governo e a política de alianças que vão nortear a campanha do candidato petista ao Planalto.

Segundo turno

Favorito absoluto na disputa, Dirceu concorreu com cinco candidatos. Saiu na frente na apuração dos votos. Mas pode haver segundo turno no dia 7 de outubro. O ex-prefeito de Porto Alegre (RS) Raul Pont é o nome que ameaça a vitória no primeiro turno.

Também entraram na corrida o presidente licenciado do PT gaúcho, Júlio Quadros, o economista Markus Sokol e os deputados Tilden Santiago (MG) e Ricardo Berzoini (SP).

Apesar de adversários, Pont e Quadros tomaram café da manhã juntos, em Porto Alegre. O ex-prefeito criticou o que chamou de “política light” capitaneada por Lula e Dirceu. “Estamos há 13 anos na prefeitura de Porto Alegre sem maioria na Câmara Municipal e há três anos governando o Rio Grande do Sul com um cerco do Judiciário e do Legislativo”, argumentou.

“Temos aqui uma trajetória e uma política de alianças que vêm garantindo a governabilidade sem necessitar de coligações com o centro”, completou Pont. Tanto ele como Quadros e Sokol integram alas radicais na seara ideológica petista.

Bate-boca

Quando chegou para votar no diretório da Vila Mariana, em São Paulo, Dirceu afirmou que a esquerda petista propõe um programa “irrealizável” para o País. “Eles dizem que não vão pagar a dívida externa. O que significa isso? Não existe. E quando dizem que vão reestatizar todas as empresas privatizadas? São propostas de um irrealismo total.”

Para Dirceu, a informação de Pont de que os petistas gaúchos governam sem alianças não é verdadeira. “É preciso parar de mentir para a sociedade e para os petistas e assumir com coerência a realidade”, protestou.

Na sede do diretório nacional, o PT testou o sistema de votação paralela que pretende ver adotado no Brasil, em 2002. Na presença de fiscais, uma urna foi clonada, ficou exposta na sede do partido e teve votos computados abertamente em intervalos regulares. “Provamos que o sistema não desvia votos”, disse o presidente em exercício do PT, deputado José Genoíno (SP).

“É uma nova técnica de audit