Diplomata: Mercosul precisa igualar condições de países pequenos

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Publicado terça-feira, 13 de março de 2012 as 09:04, por: cdb

Com 1,9 milhões de quilômetros quadrados, 210 milhões de habitantes e 1,1 trilhão de dólares de PIB – somando todos os países integrantes do bloco – “o Mercosul precisa criar meios para impedir desequilíbrios no momento de atrair investimentos externos”. Essa é a opinião do Alto Representante-Geral do Mercosul desde 2011, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que concedeu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo nesta terça-feira (13).
As exportações intra-regionais excedem os 80 bilhões de dólares e as importações chegam a quase 95 milhões de dólares. Mas, o ex-ministro de assuntos estratégicos considera ser necessário igualar as condições (por meio de subsídios, por exemplo) para que as empresas estrangeiras invistam não só no Brasil. Para ele, “sócios menores [como Paraguai e Uruguai] precisam de tratamento preferencial”.

Guimarães reitera que o Mercosul “tem cumprido de certa forma seus objetivos iniciais, de expansão do comércio” e pondera que a “existência de divergências comerciais não é um sinal de fracasso, é normal. O aumento das exportações muitas vezes significa o deslocamento de um produtor local, criando preocupações com emprego etc”.

E ressalta a legitimidade de algumas medidas protecionistas “os países menores, na minha opinião, têm o direito de se proteger, seja dos chineses, seja contra quem quer que seja, assim como nós [brasileiros] queremos nos proteger dos chineses”, mas considera que há excessos na defesa brasileira contra a entrada de produtos dos países vizinhos.

Integração

“É de grande interesse do Brasil o desenvolvimento do Mercosul e dos seus vizinhos. O mercado natural para nós são os países mais próximos”, assinala.

Ainda sobre integração, o diplomata considera que o Mercosul precisa se conscientizar “da necessidade de se transformar em um projeto de desenvolvimento econômico dos países que são membros. É preciso mecanismos que estimulem o comércio entre os países e que não ocorra o desequilíbrio na atração dos investimentos”.

E conclui: “é preciso igualar as condições de atração, por meio de subsídios, por exemplo. Por que as montadoras não se instalaram todas em São Paulo? Porque houve vantagens que compensaram as desvantagens locais. É preciso certa compreensão com os parques produtivos menores, não colocar sistematicamente barreiras a produções que são pequenas diante do mercado nacional. Sócios menores precisam de tratamento preferencial, ainda que já exista isso em muitos casos. É do nosso interesse econômico e político o avanço dos nossos vizinhos”.

Com informações da Folha de São Paulo

 

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