Diplomata americano diz que o Brasil é importante para os EUA

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 22:50, por: cdb

Impossibilitado pela crise diplomática no Conselho de Segurança das Nações Unidas de realizar a viagem que planejara fazer nesta quinta-feira a Brasília, para uma reunião semestral de consultas políticas entre o Brasil e os Estados Unidos, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Marc Grossman, convidou os correspondentes de jornais brasileiros em Washington para uma entrevista e transmitiu a mensagem que havia preparado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O Brasil é importante para os Estados Unidos, é um parceiro-chave no hemisfério e em todas as coisas que estamos fazendo ao redor do mundo”, afirmou o diplomata.

O desejo proclamado pelo presidente Lula de ver o Brasil assumir posição de liderança na região preocupa Washington? “Isso não nos incomoda”, disse Grossman. “Na verdade, achamos que isso é uma boa coisa e algo que apoiamos”, afirmou ele, depois de registrar a satisfação da administração Bush com o trabalho conjunto que os dois países vêm realizando no “grupo de amigos” da Venezuela, criado por iniciativa do líder brasileiro, e com a recente visita do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a Brasília.

“O Brasil já é um líder regional, é um país grande e um parceiro essencial para os EUA”, continuou ele. “Sempre procuramos respeitar a importância do Brasil na região, e esta é a razão pela qual o presidente Bush apressou-se a convidar o presidente Lula (para vir) a Washington, em dezembro passado.

Grossman confirmou o desejo de Bush de ter o encontro que combinou com Lula em dezembro passado. “Ainda não há data, mas vemos o encontro (dos dois presidentes) com interesse e estou certo de que ele acontecerá”, disse. O assunto deverá ser retomado quando o diplomata visitar Brasília, o que pretende fazer “o mais breve possível”.

Vistas à luz das dificuldades que Washington vem tendo para garantir o apoio do México e do Chile para sua proposta de resolução sobre o Iraque, no Conselho de Segurança, as declarações de Grossman poderiam ser interpretadas como uma expressão do desejo americano de cultivar amigos num momento de solidão internacional dos EUA.

Mais do que isso, porém, a preocupação de Grossman de falar ao Brasil é parte da estratégia de engajamento e diálogo com o governo Lula que a diplomacia americana adotou no ano passado, quando se convenceu de que o líder da esquerda assumiria democraticamente o poder em Brasília.

É uma estratégia que a alta hierarquia do Departamento de Estado considera até agora bem-sucedida e na qual persistirá, como indicou nesta quarta-feira Grossman e tem reiterado o diretor de planejamento político, Richard Haass, um assessor-chave do secretário Colin Powell, em conversas com pessoas com que se aconselha sobre as relações dos EUA com a região.

Ao falar sobre a preocupação dos EUA com o terrorismo no pós-11 de setembro de 2001, Grossman informou que recentemente representantes do Brasil, dos EUA, da Argentina e de outros países tiveram um encontro para discutir questões de segurança na região da tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai.

“Embora não exista indício da existência de célula operacional da Al-Qaeda, é uma área que precisa ser mantida em observação”, afirmou. O diplomata acrescentou que os EUA recentemente liberaram “um pouco de dinheiro” para atividades de monitoramento da área.

Ele informou também que a controvérsia que envolve a AES e o BNDES é um assunto de interesse do governo dos EUA, porque diz respeito a uma empresa americana “e nós defendemos as empresas americanas da mesma forma que o governo brasileiro defende os interesses das empresas brasileiras”, disse. Mas disse que não estava informado a respeito e explicou que o tema está sendo tratado pela embaixadora americana em Brasília, Donna Hrinak.