Dinheiro de filho de Sarney teria sido bloqueado pela Justiça suíça

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Publicado quinta-feira, 25 de março de 2010 as 14:53, por: cdb

O governo da Suíça teria bloqueado uma conta de R$ 23,4 milhões (o equivalente a US$ 13 milhões) do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Segundo reportagem publicada na edição desta quinta-feira do diário paulistano Folha de S. Paulo, o dinheiro teria sido rastreado a pedido da Justiça brasileira. A suspeita é de que a família Sarney tenha enviado dinheiro de forma ilegal para fora do Brasil.

O dinheiro, que estaria em nome de uma empresa, era movimentado por Fernando Sarney e não está declarado à Receita Federal, segundo o jornal. O governo da Suíça bloqueou a conta quando Fernando Sarney tentava transferir o recurso para Liechtenstein, paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.

Caso fique provado que a soma tenha origem ilícita, fica aberta a possibilidade de repatriação ao Brasil. No ano passado, Fernando Sarney negou que tenha contas no exterior. A conta, operada pessoalmente pelo empresário, estaria em um paraíso fiscal, em nome de uma offshore (empresa com sede fora de seu país de domicílio), mas ele seria o único autorizado a fazer transações financeiras.

Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira e não estariam declarados à Receita. O bloqueio teria ocorrido quando o filho de Sarney tentava enviar recursos da Suíça para Liechtenstein, paraíso fiscal. Fernando Sarney foi um dos alvos da operação Boi Barrica da Polícia Federal, que o indiciou por lavagem de dinheiro, fraude e formação de quadrilha.

Em meio às denúncias que resultaram da investigação, o empresário obteve liminar na Justiça impedindo o jornal O Estado de S. Paulo de publicar informações sobre a operação. A imposição de censura ao diário ocorreu em meio à pressão para que José Sarney renunciasse à presidência do Senado. O autor da decisão foi o desembargador Dácio Vieira, que é próximo à família Sarney. O jornal está sob censura desde 31 de julho do ano passado.

Durante a operação Boi Barrica, depois rebatizada para Faktor, a Polícia Federal interceptou e-mails que faziam referência ao envio de R$ 1,7 milhão para a China. Em 2009, Fernando Sarney negou a existência da conta no exterior. Com a transferência autorizada por ele, as autoridades chinesas conseguiram rastrear o dinheiro e confirmaram que os recursos foram creditados na conta da empresa Prestige Cycle Parts & Accessories Limited. Os investigadores brasileiros ainda não sabem qual é a finalidade do depósito.

Ao ser procurado por jornalistas, Fernando Sarney disse que soube do assunto pelo jornal e afirmou que não falaria sobre o que não conhece.