Dilma volta a questionar processo de impeachment

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Publicado terça-feira, 31 de maio de 2016 as 10:53, por: cdb

Dilma também não poupou críticas ao governo interino de Michel Temer e condenou os cortes no Minha Casa Minha Vida

Por Redação, com Agências de Notícias – de Brasília:

A presidenta afastada Dilma Rousseff aceitou o convite para participar, na próxima quinta-feira, no Centro do Rio de Janeiro, do ato “Nós, Mulheres pela Democracia”. Na noite de segunda-feira, durante lançamento do livro A Resistência ao Golpe de 2016, Rousseff questionou o processo de impeachment ao qual responde no Senado na Universidade de Brasília (UnB).

Dilma
Durante o evento, Dilma Rousseff voltou a comparar o golpe atual com a ditadura de 1964

– Há silêncio constrangedor quando falam da minha saída. Nos áudios, não vejo frases a respeito de créditos suplementares. Não há uma única palavra em todas as gravações a esse respeito – disse Dilma Rousseff.

Dilma destacou ainda a saída do ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, que pediu demissão nesta segunda-feira, no que considerou “uma tentativa de tornar obscura e opaca a transparência” dos atos do governo federal.

– O segundo ministro interino se afasta. Nunca tivemos o ministro da Controladoria Geral afastado. Ele nunca deixou de fazer sua função, que é a transparência de governo. Fizemos o portal da transparência. Eu fiquei achando muito estranho que eles tivessem transformado a CGU em Ministério da Transparência. Primeiro pensei que era uma jogada de marketing. Mas a tentativa era tornar a transparência obscura, opaca – afirmou.

Dilma também não poupou críticas ao governo interino de Michel Temer e condenou os cortes no Minha Casa Minha Vida e as tentativas de alteração dos programas sociais e de extinção dos ministérios da Cultura, da Mulher e dos Direitos Humanos.

– Nas declarações do governo provisório, interino e ilegítimo, está a chave do que é o sentido deste golpe. Primeira fala: o SUS não cabe no orçamento. Então vão criar planos privados de Saúde. Falam que não vão contratar mais médicos estrangeiros. Significa de uma só penada tirar 11 mil médicos cubanos, num grande preconceito contra os médicos cubanos, porque os médicos cubanos vão para as periferias, os lugares mais afastados. Outra fala é que o Minha Casa Minha Vida não vai mais atingir os que são de baixa renda, onde está 80% do déficit habitacional do Brasil, então não atenderão nenhum pobre deste país – afirmou.

– É um governo neoliberal em economia e ultraconservador no campo social e da cultura – frisou.

– O golpe tem dois sentidos: parar a Lava Jato e impedir que a gente continue com a nossa política de inclusão social – reforçou.

Ela voltou a comparar o golpe atual com a ditadura de 1964.

– Estou vendo com outras roupas, mas é um golpe com as mesmas intenções: uma oligarquia querendo derrubar um governo popular. Há uma diferença entre o golpe de agora e o golpe de 1964. O de agora não interrompe o processo democrático, mas corrói o processo democrático, como um parasita. Estão usando a democracia contra ela mesma. Isso caracteriza um golpe frio – definiu.

Participaram do evento estudantes, professores, apoiadores, parlamentares e os ex-ministros da Justiça de Dilma, José Eduardo Cardozo e Eugênio Aragão. Ambos reforçaram o discurso da presidente e criticaram o atual governo. De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 800 pessoas estiveram no local.

A obra lançada no evento reúne, em 450 páginas, textos sobre o processo de impeachment. O livro tem textos escritos por advogados, professores, políticos, jornalistas, cientistas políticos, líderes de movimentos sociais, e outros. Entre os autores, estão o teólogo e escritor Leonardo Boff, Carina Vitral, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos e o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos.