Dilma rompe com o PT em questão estrutural, afirma colunista

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Publicado quarta-feira, 2 de janeiro de 2013 as 17:57, por: cdb
Atualizado em 14/11/16 21:39
Dilma
Dilma e Lula divergem quanto a uma lei de mídia

A presidenta Dilma Rousseff – segundo nota do colunista Paulo Henrique Amorim, em primeira mão – rompeu com o PT ao descartar a possibilidade de dar sequência a uma lei de mídia. E, para ele, a explicação está na formação de Dilma, que “foi à luta insurrecional de avião”. Segundo ele, “provavelmente o Lula foi o único proletário com quem conviveu”. Dilma, segundo o colunista, seguirá sob o jugo da mídia conservadora. Leia, abaixo, os principais trechos da nota:

Ela foi à luta insurrecional de avião. Não foi na boleia de um pau de arara. E, provavelmente, o Lula foi o único proletário com quem conviveu”.

What you see is what you get. (O que você vê é o que você vai ter).

A primeira atividade pública da presidenta recém eleita que envolvesse o PiG foi discursar num aniversário (do diário conservador paulistano Folha (de S. Paulo), o mesmo instrumento golpista que publicou a ficha falsa da terrorista que ia sequestrar o Delfim Netto; e, no regime que torturava a militante, emprestava os vagões em que eram transportadas as vítimas do Coronel Ustra nos campos de extermínio. A segunda atividade foi tentar produzir uma omelete num programa de suculentas entrevistas na Rede Globo, a mesma que co-produziu a bolinha de papel e na entrevista com os candidatos tratou o adversário com mel e ela com fel”, afirma o colunista.

What you see is what you got. (O que você vê é o que você teve).

Agora, a Folha, num ato de investigavo jornalismo, compulsa dados públicos para constatar que a Presidenta prefere falar com estrangeiros; e, com os nativos, prefere o pessoal que frita bolinhos. Ela prefere tratar de trilhos e de juros. É a presidenta técnica que, se trair o Lula, será convidada para um garden-party na Casa Branca.

O PT quer a Ley de Medios.

O Nunca Dantes também.

Não fora isso, não teria encomendado o excelente projeto ao Franklin Martins, que, em suma, quer nada além da Constituição de ’88. O mesmo por que luta o professor Comparato e que o Advogado Geral, o Dr Adams, tratou de torpedear no Supremo.

A presidenta mandou o Hibernardo jogar o Franklin na mesma pilha em que o Farol de Alexandria depositou os QUATRO projetos de Ley de Medios que o Serjão Motta – o da compra da reeleição por 200 mil paus por cabeça – lhe deixou de herança, ao pedir, “Fernando, não se apequene”.

Ele se apequenou.

A Globo enterrou o Serjão em cova rasa, assim como venceu a Dilma.

A Dilma se separa do PT na questão da Ley de Medios – e, portanto, no central.

Essa é uma divergência de estrutura.

Porque trata da Democracia.

Como a Dilma percebe a Democracia e como o PT a percebe.

Para a Dilma, a Democracia é uma questão de gestão: aplicar eficientemente recursos públicos.

Inclusive os recursos destinados ao Brasil Carinhoso.

Como sugere o Gerdau, aquele que se tornou, provavelmente, o Mentor Intelectual deste quadriênio.

O PT e o Lula percebem a Globo e as Quatro Familias Pigais como um entrave à Democracia.

Como uma supressão da Democracia.

Não só porque hipertrofia o poder da Casa Grande e desfalca a Liberdade de se informar e de se expressar, mas, como observou o Vladimir Safatle, homogeiniza a produção cultural.

O cinema, a dramaturgia, a lista de best-sellers – fica tudo com o sotaque do Gilberto Freire com “i” (***).

A Fernanda Montenegro – a Primeira Dama ! – que podia estar num Checov, Strindberg, Sofocles, Shakespeare, se houvesse um TBC, uma RSC – submetida a esses papeis de falso cinema da Globo.

Que dor no peito !

Ah, que saudades do Teatro dos Sete!

Quando parecia que o Paulo Francis ia ter importância.

É o Brasil da Avenida, no elenco do Boninho.

Cadê os Pontos de Cultura do Ministro Gil ?

Ao anunciar ao PT que está fora da Ley de Medios – e vire-se com o Michel Temer! – a Presidenta atravessou o Rubicão.

Foi para o outro lado.

Lula continua do lado de cá.

O que demonstra muito mais ainda.

Que a opção da jovem Dilma, a moça de classe média belorizontina, demonstrava coragem – e superficialidade.

Que a jovem radical era só isso: radical.

Não tinha muito mais a sustentá-la, com raízes, substância.

Ela foi à luta insurrecional de avião.

Não foi na boleia de um pau de arara.

E, provavelmente, o Lula foi o único proletário com quem conviveu.

Deu nisso.

It’s what we got!

Paulo Henrique Amorim