Dilma reúne coordenação política após perder selo de bom pagador

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Publicado quinta-feira, 10 de setembro de 2015 as 10:28, por: cdb

Por Redação, com Reuters – de Brasília:

A presidenta Dilma Rousseff decidiu reunir novamente na manhã desta quinta-feira seu núcleo de coordenação política, um dia depois de o Brasil perder o selo de bom pagador com o rebaixamento do rating soberano pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, a reunião será nos moldes da que ocorre normalmente às segundas-feiras. Na agenda da presidente divulgada na véspera, constava no horário uma reunião dela apenas com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

coordenação política
A assessoria da Presidência disse que a reunião será nos moldes da que ocorre normalmente às segundas-feiras

Do lado do Executivo, participam da reunião também o vice-presidente Michel Temer e os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Edinho Silva (Comunicação Social), Eduardo Braga (Minas e Energia), José Eduardo Cardozo (Justiça), Gilberto Kassab (Cidades) e Ricardo Berzoini (Comunicações).

Os líderes do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS); na Câmara, José Guimarães (PT-CE); e no Congresso Nacional, José Pimentel (PT-CE), também estão no encontro.

Na quinta-feira, a presidenta disse que a meta fiscal de 2016 está mantida em um superávit primário de 0,7% e só será possível cobrir o déficit previsto na proposta do Orçamento do próximo ano se houver aumento de receitas com elevação de tributos.

– Mantidos os compromissos que assumimos no PAC e olhando as demais, você não tem margem para cumprir 0,7% (de superávit primário), então, inequivocamente, teremos de ter ampliação da receita – disse Dilma em entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico.

Segundo a presidente, é responsabilidade do governo “dizer onde, quando e como” se dará esse aumento de receitas, e isso ainda está sendo avaliado.

– Não fecha sem aumento de receitas – disse, acrescentando que o governo ainda vai “enxugar mais um pouco” os gastos.

Nos últimos dias, integrantes do governo têm falado sobre a possibilidade de aumento do Imposto de Renda das pessoas físicas, a criação de um imposto provisório e da elevação alíquotas de tributos, como a Cide. Mas Dilma avaliou que o aumento da Cide não seria suficiente e traria um forte impacto inflacionário.

Perguntada sobre o rebaixamento do rating soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s para “BB+”, o que significa a perda do selo de bom pagador, Dilma disse que “o governo brasileiro continua trabalhando para melhorar a execução fiscal e torná-la sustentável”.

– Você vai notar que de 1994 a 2015 só em sete anos, a partir de 2008, a nota foi acima de BB+. Portanto, essa classificação não significa que o Brasil esteja em uma situação em que não possa cumprir as suas obrigações. Pelo contrário, está pagando todos os seus contratos, como também temos uma clara estratégia econômica – disse a presidenta.

Em meio a uma grave crise política, além da econômica, e recordes de baixa popularidade, a presidente rejeitou mais uma vez qualquer possibilidade de renúncia.

– Eu não saio daqui, não faço essa renúncia. Não devo nada, não fiz nada errado. Acho que a popularidade da gente é função de um processo. De fato, a minha está bem baixa hoje… agora, eu acredito no futuro deste país. Acredito que vamos sair dessa dificuldade – disse.