Dilma inicia agenda nos EUA com visita a Obama e discurso a empresários

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Publicado segunda-feira, 9 de abril de 2012 as 06:53, por: cdb

Dilma inicia agenda nos EUA com visita a Obama e discurso a empresários

Passagem pelo país inclui visita a universidades e deve debater crise financeira internacional e reforma do Conselho de Segurança da ONU

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 09/04/2012, 09:52

Última atualização às 09:52

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Dilma Rousseff chega a Washington para encontro com Obama e palestra (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff dá início hoje (9) à agenda oficial de visita aos Estados Unidos com um encontro com o presidente Barack Obama. A reunião, marcada para o final da manhã, deve abordar soluções para a crise financeira internacional e o pleito brasileiro pela reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com o Itamaraty.

Esta questão já havia sido abordada durante a visita de Obama ao Brasil, em março de 2011, quando o norte-americano não emitiu sinais claros de que seja favorável ao aumento do número de membros permanentes da principal instância de decisão política global. Conforme comunicado do Ministério das Relações Exteriores, na agenda de Dilma “figuram com proeminência” temas relacionados a comércio, investimentos, ciência e tecnologia e cooperação educacional.

Após almoço com o presidente dos Estados Unidos, a presidenta fará o encerramento de seminário voltado a empresários. “Brasil-EUA: parceria para o século 21″ é um evento promovido pela Câmara de Comércio daquele país em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O encontro terá a presença da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e dos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Aloizio Mercadante (Educação) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), além do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Em 2011, os Estados Unidos mantiveram a posição de segundo principal parceiro comercial brasileiro, ao lado da China, com 12,4% do total. Entre 2007 e 2011, segundo o Itamaraty, o intercâmbio entre as duas nações cresceu 37%, de US$ 44 bilhões para US$ 60 bilhões. No primeiro bimestre deste ano, as exportações brasileiras para a nação do Norte cresceram 38%, contra uma expansão de 6% nas importações. O fluxo total de comércio bilateral em janeiro e fevereiro foi a US$ 9,5 bilhões, contra US$ 7,9 bilhões no mesmo período do ano passado.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, avalia que a visita presidencial marca a retomada da relação comercial entre os dois países, benéfica em um contexto de crise internacional em que o Brasil se torna mais atraente para investimentos. “Desde 2000, esta é a primeira viagem com finalidades comerciais. Antes só havia participações dos presidentes em reuniões da ONU (Organização das Nações Unidas) e do FMI (Fundo Monetário Internacional)”, disse.

No dia seguinte à agenda econômica, Dilma visitará o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para debates com a comunidade acadêmica. Na sequência ela terá um encontro com brasileiros estudantes de Harvard beneficiados pelo programa “Ciência sem fronteiras”, de concessão de bolsas de estudo no exterior. Por fim, antes do retorno a Brasília ela tem reunião de trabalho com o governador de Massachusetts, Deval Patrick.

Direitos humanos

Na última semana, a organização não governamental Conectas emitiu nota solicitando que Dilma inclua a questão dos direitos humanos na conversa com o presidente dos Estados Unidos. A organização considera que o Brasil deve ter um “diálogo franco, não seletivo e construtivo” sobre o tema, tido como fundamental para a construção “de uma ordem internacional mais democrática”.

A ONG pede que a presidenta cobre de Obama o cumprimento da promessa de campanha de que fecharia a prisão de Guantánamo, alvo de acusações de graves violações aos direitos humanos, como a manutenção de detentos sem qualquer acusação formal e a exposição a longas horas de sol e de fome. 

“Vemos todos os dias como os países defendem com audácia e firmeza pontos de vista a respeito de importantes assuntos comerciais em suas relações internacionais. Gostaríamos de ver a mesma disposição para defender questões de direitos humanos que têm um impacto profundo na vida de milhares de pessoas”, disse Lucia Nader, diretora executiva, em nota divulgada pela Conectas.

Com informações da Agência Brasil.