Dilma escolherá nomes da Comissão da Verdade no tempo certo, diz Paulo Abrão

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Publicado segunda-feira, 12 de março de 2012 as 08:43, por: cdb

Dilma escolherá nomes da Comissão da Verdade no tempo certo, diz Paulo Abrão

Para presidente da Comissão de Anistia, país está ganhando a luta contra o esquecimento

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 12/03/2012, 11:20

Última atualização às 11:30

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SãoPaulo – O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão,disse não ter “nenhuma informação” sobre a escolha dos nomes para integrar aComissão da Verdade. Na semana passada, o ex-secretário de Direitos HumanosPaulo Vannuchi disse haver “rumores” de que a composição poderia ser conhecidanesta semana. “A decisão está nas mãos da presidenta, que no tempo certoescolherá os nomes e instalará a comissão”, disse Abrão.

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Paraele, a demora na definição pode ser vista de forma positiva, como um sinal decuidado na escolha. “Se está demorando, é porque é prioridade”, afirmou. A leique criou a comissão (12.528) foi sancionada em novembro pela presidenta DilmaRousseff.

SegundoAbrão, também secretário nacional da Justiça, o país vive uma terceira fase naluta pela anistia. “É um grande batalha jurídica, de internalização dostratados internacionais.” Também está sendo superada, na sua visão, uma certa “transiçãocontrolada” do processo no Brasil, que inclui esquecimento dos fatos, nãoapuração e impunidade. “A luta contra o esquecimento acho que estamos ganhando.A nossa tradição é de não enfrentamento das violações do Estado”, diz ele,citando fatos como a escravidão, a Guerra do Paraguai e a violência contra aspopulações indígenas. “Esperamos que a Comissão da Verdade cumpra essa tarefa(de apuração). Falta a terceira.”

Eleafirmou que a Caravana da Anistia realizada na semana passada em São Paulo podeter sido “a última reunião antes da Comissão da Verdade”. A próxima estámarcada para os dias 29 e 30, no Piauí – é a primeira vez que a caravana irá para aquele estado. Ainda neste semestre, estão previstas reuniões em Bauru(SP), Florianópolis, Porto Alegre e Fortaleza.

Filme

No últimodia da caravana em São Paulo, sexta-feira (9), foi exibido o documentário “VouContar para meus Filhos”, dirigido por Tuca Siqueira. O filme faz parte doprojeto Marcas da Memória, do Ministério da Justiça, em parceria com o GrupoTortura Nunca Mais de Pernambuco. Mostra o reencontro de mulheres que, de 1969 a 1979, foram presas políticasna Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, em Recife. Eram24 mulheres, das quais três já morreram, lembra Yara Falcon, do Tortura NuncaMais pernambucano. “Nossa luta continua e passa agora pela Comissão da Verdade”,afirmou.

IldaGomes da Silva, viúva de Virgílio Gomes da Silva, também torce pelo sucesso daComissão da Verdade. “Essa comissão vai ser a esperança da gente. Penso que vãofazer muita coisa. Eu tenho fé.”

Elalembra que a procuradora Eugênia Gonzaga, do Ministério Público Federal,defende que se faça um canteiro e um monumento no local das escavações em buscadas ossadas de desaparecidos políticos, entre eles Virgílio, no cemitério daVila Formosa, zona leste de São Paulo. “Pedi que se faça em homenagem a todos,porque todos merecem”, diz dona Ilda, que participou do evento em SãoPaulo. Também estava lá a presidenta da Associação Mulheres pela Paz, ClaraCharf, viúva de Carlos Marighella.