Dilma e outros nove ministros deixam cargo para concorrer às eleições

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Publicado quarta-feira, 31 de março de 2010 as 14:01, por: cdb

Com o fim do prazo para desincompatibilização do cargo, nesta quarta-feira, dez ministros de Estado deixaram suas pastas na manhã desta quarta-feira para disputar eleições em outubro. Além da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram exonerados os titulares da Agricultura, Previdência, Comunicações, Desenvolvimento Social, Minas e Energia, Igualdade Racial, Transportes, Integração Nacional e Meio Ambiente.

Em seu discurso de despedida, na solenidade realizada no final desta manhã, no Palácio do Planalto, a hoje ex-ministra Dilma Rousseff preferiu não falar de sua candidatura à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Preferiu agradecer ao presidente pela confiança nela depositada ao longo dos anos em que permaneceu no governo e, ao público, disse apenas que aquela não era uma despedida.

– Não somos aqueles que estão dizendo adeus. Somos aqueles que estão dizendo até breve – disse a candidata.

Ao todo, 70% das trocas foram consolidadas com a nomeação dos secretários-executivos, segundo cargo na escala de comando dos ministérios. As exceções foram as pastas da Agricultura, a qual assumiu o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, nas Comunicações, com posse ao chefe de gabinete de Hélio Costa, José Arthur Filardi Leite, e no Ministério do Desenvolvimento Social, com a assistente social Márcia Lopes.

– Não existe mudança política – disse o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Permanece no cargo

Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para ser vice na chapa da ex-ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, sinalizou em um jantar com a cúpula do PMDB na noite passada que tende a permanecer no comando da instituição, afirmaram integrantes do partido na madrugada desta quarta-feira. Se a percepção se confirmar, contrariaria todas as expectativas que davam como praticamente certa sua desincompatibilização para disputar, eventualmente, algum mandato na eleição de outubro.

– Acho que ele vai ficar, a não ser que tenha alguma reviravolta – disse a jornalistas o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), presente ao encontro.

O jantar foi oferecido pelo presidente da Câmara e do partido, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e contou com a participação de parlamentares. Em uma de suas intervenções durante o evento, Meirelles chegou a comentar que, se deixasse o BC, não teria chance de exercer plenamente seu mandato no Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), espécie de Banco Central dos bancos centrais do mundo. Ele foi o primeiro presidente da autoridade monetária brasileira indicado para o Conselho Diretor e também para presidir o Conselho Consultivo das Américas do órgão.

Na véspera, Henrique Meirelles manteve mistério sobre seu futuro político, após encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião serviria para que ele comunicasse sua decisão, mas diante de um pedido do presidente para que permanecesse no cargo até o fim do governo, pediu 24 horas para pensar no assunto.

– Esse negócio de ele ser do conselho dos bancos centrais (BIS) pode pesar – disse um deputado do PMDB sob condição de anonimato.

Meirelles já foi cotado para disputar o governo de Goiás; uma vaga no Senado ou ser o vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) na disputa presidencial. Sua indefinição surpreendeu o governo e o próprio partido, ao qual se filiou em setembro de 2009. Todas as apostas nos últimos meses davam conta de um retorno ao mundo político neste ano. No encontro com Lula na véspera, ele teria deixado a impressão de que adiaria o projeto.

– Eu pedi a ele (Lula) 24 horas para pensar sobre este pedido dele (para que permaneça no cargo) – afirmou.

Meirelles fez questão de repetir várias vezes, na breve conversa com jornalistas, o pedido de Lula para ficar no BC.

– Ele (Lula) me fez um pedido para que eu fique no Banco Central até o final deste governo para completar o trabalho de estabilização da economia brasileira e também para assegurar que entregaremos ao próximo governo um Estado crescendo, com inflação na meta e todas as condições para que o Brasil possa manter este ritmo de crescimento nos próximos anos. A opinião dele (Lula) é que, se depender dele, eu fico no Banco Central – concluiu.

Motivos pessoais

Embora a Presidência da instituição deva permanecer inalterada, o mesmo não ocorreu na diretoria. O Banco Central informou nesta quarta-feira que o diretor Mário Mesquita deixou a pasta de Política Econômica “por motivos pessoais, para se dedicar a novos projetos profissionais”. Mesquita estava no BC há 3 anos e 9 meses. De acordo com a nota divulgada pela instituição, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, atual diretor de Assuntos Internacionais, ocupará a função de Mesquita.

Para a diretoria de Assuntos Internacionais, o presidente do BC, Henrique Meirelles, encaminhou a indicação de Luiz Awazu Pereira da Silva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concordou com a indicação. O nome de Pereira da Silva será agora submetido ao Senado.

Segundo BC, Pereira da Silva atualmente exerce o cargo de diretor regional para o Departamento 2 da África Austral do Banco Mundial, onde é funcionário de carreira. Ele é doutor em Economia pela Université de Paris-I Sorbonne, foi diretor do Departamento de Risco-País e Análise Econômica do Japan Bank for Internacional Cooperation e pesquisador-visitante do Instituto de Política Monetária e Fiscal do Ministério das Finanças do Japão, bem como chefe da assessoria econômica do ministério do Planejamento e secretário de assuntos internacionais do ministério da Fazenda.