Dilma diz que Temer não governa sem conversar com Cunha

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Publicado terça-feira, 28 de junho de 2016 as 12:42, por: cdb

No Twitter, Dilma disse que “está ficando cada vez mais claro que as razões q levam ao processo de impeachment são infundadas”

Por Redação, com Vermelho e Agências de Notícias – de Brasília:

A presidenta afastada Dilma Rousseff comentou, nesta terça-feira, através do seu perfil no Twitter, o encontro secreto de Michel Temer com Eduardo Cunha, ambos do PMDB, no Jaburu. “O presidente interino não consegue nem governar sem conversar com o presidente suspenso da Câmara dos Deputados, que já foi denunciado pelo STF duas vezes”, escreveu a presidenta.

Dilma Rousseff
A presidenta Dilma Rousseff também defendeu a realização de uma reforma política no Brasil

Dilma também afirmou que o “erro mais óbvio” que cometeu foi a aliança que fez para a reeleição com o “grupo político de quem teve atitude de usurpação e traição”. “Poderíamos ter sido mais contundentes para denunciar golpe articulado pela mídia, descontentes que ‘não queriam pagar o pato’, oposição e golpistas”, destacou.

A presidenta, que tem buscado aprofundar o debate com diversos setores sobre a realização de um plebiscito sobre novas eleições como alternativa para enfrentar a crise política do país, também defendeu a realização de uma reforma política.

“É necessário uma profunda reforma política e não está em questão apenas o mandato do presidente da República, mas de todo o Legislativo. Estamos num momento especial. É preciso recompor conquistas e abrir caminhos para que se crie uma verdadeira democracia”, completou Dilma.

Ainda de acordo com Dilma Rousseff, “as condições políticas no Brasil estão em processo acelerado de deterioração, principalmente no plano federal” e dispara: “Está ficando cada vez mais claro que as razões que levam ao processo de impeachment são infundadas”.

“Vou lutar contra esse impeachment. No futuro, quero lutar contra as consequências que, mesmo q eu volte, ficarão nas instituições”, escreveu em sua conta no microblog.

Perícia do Senado não identifica pedaladas de Dilma

A perícia feita a pedido da Comissão Especial do Impeachment do Senado aponta que não há “controvérsia” sobre a ação da presidenta afastada Dilma Rousseff nos decretos de créditos suplementares editados sem o aval do Congresso. No entanto, o laudo afirma ainda que não foi identificada ação dela nas chamadas “pedaladas fiscais”.

A ação direta da presidenta é condição na suposta “pedalada fiscal” e condição para o impeachment, previsto na Lei 1.079/50 regula o crime de responsabilidade. Os peritos responderam 99 perguntas feitas pelos parlamentares, pela defesa e acusação e pelo relator do processo, o senador tucano Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Uma das acusações na denúncia contra Dilma diz que a presidenta cometeu “pedalada fiscal” por conta do atraso do repasse de R$ 3,5 bilhões do Tesouro ao Banco do Brasil para o Plano Safra.

O laudo da perícia diz que não identificou ação de Dilma no episódio: “Pela análise dos dados, dos documentos e das informações relativos ao Plano Safra, não foi identificado ato comissivo da Exma. Sra. Presidente da República que tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos”, afirmaram os peritos no relatório.

Sobre os três dos quatro decretos que “promoveram alterações na programação orçamentária incompatíveis com a obtenção da meta de resultado primário vigente à época da edição”, a perícia do Senado diz que não há “controvérsia” sobre o fato de a presidenta afastada Dilma Rousseff ter agido para liberar créditos suplementares sem o aval do Congresso.

Os referidos decretos são os de 27 de junho de 2015, nos valores de R$ 1,7 bilhão e e R$ 29 milhões, e o decreto de 20 de agosto de 2015, no valor de R$ 600 milhões.