Dilma abandonada à própria sorte e PT já aposta em Lula para 2018

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Publicado terça-feira, 16 de agosto de 2016 as 12:48, por: cdb

Renitente, Dilma mantém-se encastelada no Palácio da Alvorada, já quase sem nenhum pertence pessoal a não ser as roupas da lida e os poucos porta-retratos com fotos da filha, do neto, da mãe

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Abandonada à própria sorte, a presidenta Dilma Rousseff espera passar à História do Brasil como vítima do golpe de Estado, em curso, na carta que promete divulgar, nas próximas horas, com a narrativa da trajetória que encerra, novamente, um curto período democrático no país. Tanto no documento quanto nos discursos que proferiu, até agora, Dilma pontua o golpe e a crise econômica mundial como principais vetores para a cassação anunciada para o próximo dia 25.

Dilma, antes arisca com a mídia, agora procura falar para o máximo possível de veículos de comunicação
Dilma, antes arisca com a mídia, agora procura falar para o máximo possível de veículos de comunicação

Renitente, Dilma mantém-se encastelada no Palácio da Alvorada, já quase sem nenhum pertence pessoal a não ser as roupas da lida e os poucos porta-retratos com fotos da filha, do neto, da mãe. Ocupada com as entrevistas a jornais, revistas, canais de TV e blogs da internet, Dilma agora tem uma agenda estendida aos meios de comunicação, coisa rara durante o período em que ocupou a Presidência da República. De política mesmo, no entanto, os encontros minguam à medida que se aproxima o dia do julgamento final.

Nas ruas, os gritos de “Volta, Dilma!” são apenas um eco do “Fora, Temer!”, que mobiliza multidões e se transformou quase que em um cumprimento: “Primeiramente, …”. A esperada carta, que nem de longe se aproxima do testamento de Getúlio Vargas, assinado com o sangue do estadista que, na década de 50, serenamente deu o primeiro passo no caminho da eternidade e saiu da vida para entrar na história, a missiva tem sido bombardeada mesmo antes de chegar ao Senado, para onde está endereçada.

Em parte do documento, inédito até o fechamento desta matéria, ao qual a reportagem do Correio do Brasil teve acesso, Dilma pede a realização de um plebiscito, para que o povo brasileiro diga se quer sua permanência até 2018, ou a substituição por meio de novas eleições. Nesse ponto, convergem o presidente do PT, Rui Falcão, e seu pior adversário, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, atual presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE). Ambos, apesar da distância ideológica que os separa, não creem na viabilidade dessa expectativa.

— Não acredito que haja condições políticas para a realização de novas eleições, em um período tão curto — disse Falcão, em recente entrevista ao CdB.

Mendes, por sua vez, disse considerar “brincadeira de criança” a possibilidade da realização de um plebiscito para a realização de novas eleições no Brasil. Segundo ele, a proposta de Dilma Rousseff, se conseguir reverter o processo de impeachment na votação final do Senado e permanecer no cargo, não deverá ser aprovada pelo Congresso. Para Gilmar, que esteve na capital pernambucana, na noite passada, em um evento no Tribunal Regional federal da 5ª Região, a Constituição não prevê eleições extemporâneas e a proposta de um plebiscito não passa de mais um “embate político”.

— A questão do plebiscito teria que passar por uma emenda e teria que ter sua constitucionalidade verificada pelo próprio STF. Na realidade, isso parece muito mais um embate político. Isto é um pouco uma brincadeira de criança — realçou.

Lula elogia Dilma

Enquanto Dilma mingua, com um séquito cada vez menor em torno daquela que terminou o mandato, em 2014, como uma das figuras mais duras e inflexíveis, politicamente, no cenário nacional, reeleita depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em seu apoio, ao lado da mídia progressista, é ele que cresce no cenário nacional. Em um encontro no ABC Paulista, nesta segunda-feira, ao lado da mulher, Marisa Letícia, o líder petista tratou de elogiar a pupila, mas dá a entender que o impedimento será inevitável:

— Tenho orgulho de ter tido como sucessora a primeira mulher a presidir o Brasil. Dilma foi barbaramente torturada e chegou à presidência sem ódio.

E ficou nisso. No restante do discurso, deixou claro que será candidato, novamente, em 2018, na tentativa de retomar os trilhos desse bonde chamado Democracia, descarrilhado durante a gestão da sucessora que, em plena campanha, ostentava o apelido de “poste”. Uma vez derrubada, o “poste” que atende ao ser chamado de Dilma tende a ser usado como esteio na campanha do “Lulinha paz e amor”.

— Eu tô ficando igual a um Pokémon, o eleitor que quiser vai achar o Lulinha. A Marisa sabe, eu continuo o Lulinha paz e amor — disse.

No ato público, Lula também denunciou a perseguição que tem sofrido por parte do juiz Sérgio Moro, nas investigações da Operação Lava Jato.

— Não é primeira vez que tentam me destruir. Me parece que o objetivo principal deles é criar qualquer impedimento legal para que eu não dispute mais uma eleição. Mas eles façam o que quiserem, porque em 2018 nós vamos voltar a governar esse país através do voto democrático — afirmou.

Lula não poupou a garganta ao denunciar a tentativa em curso de impedir sua possível candidatura à Presidência em 2018.

— O objetivos deles é criar qualquer impedimento legal para não deixar que o PT volte a governar este país. Quando falo PT, é não deixar o Lula voltar a governar o país — acrescentou.

No discurso, Lula recomendou aos adversários que se preparem, “porque em 2018, o PT voltará a governar o Brasil.”

— Até a vitória — concluiu o futuro candidato.

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