Diabetes nos países pobres pode dobrar até 2030

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Publicado quinta-feira, 13 de novembro de 2003 as 22:52, por: cdb

O diabetes nos países pobres poderá mais que dobrar até 2030, com 284 milhões de casos. O alerta foi feito nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que se comprometeu a implementar esforços para combater a doença.

Pelo menos uma em 20 mortes em todo o mundo é atribuída ao diabetes, que se traduz na sobrecarga financeira de 2,5% a 15% dos orçamentos relacionados à saúde, informou a organização, que recebeu para este fim uma nova injeção de recursos da Fundação Mundial para a Diabetes.

“O diabetes é parte de uma epidemia crescente de doenças não-comunicáveis que começam a impor uma sobrecarga de doenças nos países mais pobres do mundo”, disse Catherine Le Gales-Camus, assistente do diretor-geral da OMS. “Mesmo enquanto estes países lutam contra o HIV/aids, a malária e a tuberculose, também precisam se preparar para lidar com doenças causadas pelas mudanças no estilo de vida e pelo envelhecimento de sua população”, explicou.

Apesar dos números pessimistas, Le Gales-Camus disse que grande parte do aumento projetado do diabetes seria evitada se fosse dada atenção à dieta e às atividades físicas. A OMS informou que irá trabalhar em conjunto com a Federação Internacional de Diabetes para reduzir a doença, que afeta 171 milhões de pessoas no mundo, ensinando as comunidades a levar uma vida mais saudável. Eles também ensinarão os que já sofrem do mal a lidar com a doença.

“Prevenção e tratamento andam de mãos dadas”, disse Rafael Bengoa, diretor da OMS encarregado das doenças não-comunicáveis. “Precisamos fornecer pacotes compreensivos (de cuidados) que vão de encontro às necessidades de todos os membros da comunidade que se dirijam à doença em todos os estágios”.

O diabetes, caracterizado pelo excesso de glicose no sangue provocado por uma falha na produção de insulina, antigamente atingia pessoas idosas e de países mais ricos, mas agora atinge pessoas na África com idades entre 45 e 64 anos. “Nós somos menos ativos que nossos pais e avós e comemos alimentos com maiores concentrações de açúcar e gordura, freqüentemente com o resultado de que estamos engordando e, conseqüentemente, aumentando o risco de diabetes”, disse Le Gales-Camus.

Embora a Fundação Mundial para o Diabetes tenha se comprometido a auxiliar no financiamento da campanha, um valor exato ainda não foi disponibilizado e as negociações deverão continuar até o final de janeiro.