Dia pouco movimentado faz dólar cair pela segunda vez

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Publicado quarta-feira, 29 de agosto de 2001 as 20:32, por: cdb

O dólar comercial operou com estreita volatilidade e maior giro financeiro no mercado à vista, nesta quarta-feira. O preço da moeda norte-americana oscilou apenas 0,28% durante o dia e encerrou a R$ 2,546, em queda de 0,51%, pelo segundo pregão consecutivo.

Operadores das mesas de câmbio explicaram à editora Silvana Rocha que as cotações foram influenciadas pela melhora dos indicadores de confiança argentinos e, em parte, pelas operações do vencimento de contratos futuros de câmbio, nessa sexta-feira na BM&F.

Em relação à Argentina, as notícias em torno da negociação voluntária da dívida externa contribuíram para a queda do risco país, da taxas de juro internas e para a recuperação dos títulos da dívida externa.

Segundo a correspondente Marina Guimarães, o analista argentino Luis Corsiglia atribui a melhora da confiança dos investidores a duas propostas que teriam sido feitas por bancos estrangeiros ao governo argentino para a renegociação da dívida – o Morgan Chase, ontem, e o Deutsche, hoje. O montante da operação é estimado entre US$ 20 bi e US$ 30 bi.

O risco Argentina recuou 36 pontos, para 1.387 pontos base. A taxa over do país também caiu hoje, pelo terceiro dia seguido. Em pesos, entre os bancos maiores, refluiu de 4,5% para 4%. Em dólar, ficou em 3,5% para as instituições de primeira linha.

O bônus FRB era negociado, às 12h, com alta de 1,76%, a 78,25 centavos de dólar, e o ARG-08, às 16h30, registrava ganho de 1,97%, a 67,30 centavos de dólar, segundo a corretora López & Leon. O C-Bond brasileiro foi influenciado positivamente e, às 17h, estava em alta de 0,43%, a 73,125 centavos de dólar.

Juros – Na mesma direção do dólar, os juros futuros recuaram pelo terceiro dia consecutivo na BM&F e a liquidez dos negócios melhorou, refletindo maior otimismo dos investidores em relação à crise argentina. Além desse alívio, contribui para a redução das taxas o recuo do PIB no segundo trimestre, o que desautoriza apostas em alta de juros. Segundo a editora Marisa Castellani, muitos analistas também esperam a desaceleração da inflação daqui para frente.

Na BM&F, o contrato para 1º de janeiro, na liderança em termos de negócios, teve sua projeção de juros reduzida para 21,70% ao ano, de 22,09%. O contrato para 1º de outubro encerrou com taxas de 19,57%, de 19,71%. Novembro fechou com projeção de 20,26%, de 20,36%. E o DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 23,11%, ante 23,57% da véspera.

Bolsa – A Bovespa está procurando espaço para recuperação técnica, a despeito das indefinições na Argentina e do cenário de desaceleração da economia mundial. O Ibovespa chegou a subir 1,25% nesta quarta-feira, mas fechou em alta bem menor, de 0,45%, nos 13.076 pontos. Contudo, o volume financeiro continuou minguado, somando apenas R$ 339 milhões.

A revisão do PIB americano, que cresceu 0,2% no segundo trimestre, serviu de alento no início dos negócios, relata a editora Márcia Pinheiro. O ínfimo aumento foi melhor do que o esperado pelos analistas, que apostavam em estabilidade ou “crescimento zero”. Mas, em NY, as bolsas reagiram sem entusiasmo. O índice Dow Jones caiu 1,28% e a Nasdaq recuou 1,17%. Em Buenos Aires, o índice Merval fechou em alta de 1,02%.

Na liderança das maiores altas do Ibovespa, VCP PN deu um salto de 6,19%. A esta ação, seguiram-se Aracruz PNB (+4,35%), Transmissão Paulista PN (+3,30%), Embratel ON (+3,15%) e Tele Nordeste Celular PN (+2,92%). Entre as maiores baixas estiveram Embraer PN (-3,87%), Brasil Telecom Par PN (-2,50%), Brasil Telecom ON (-2,08%) e Inepar PN (-1,89%).