Dia D de combate à dengue

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Publicado sábado, 29 de novembro de 2003 as 11:59, por: cdb

Começa neste sábado o Dia D de combate à dengue em todo o Brasil. Mas um fato chama a atenção: não se vence o mosquito que transmite a doença sem o apoio da população. Da bandeja do ar-condicionado a uma casquinha de ovo no quintal, qualquer recipiente pode ser um berçário para o Aedes aegypti.

O ministro da Saúde, Humberto Costa, abriu agora pela manhã no bairro de Acarí, zona norte do Rio de Janeiro, a campanha de combate ao mosquito da dengue no estado. O ministro visitou habitações pobres ao lado do rio Acarí onde, junto com agentes comunitários, chamou a população local para desenvolver atividades contra o mosquito da dengue.

No ano passado, a doença matou 91 pessoas no estado e cerca de 300 foram contaminadas. O ministro da Saúde visitou também um hospital em construção no mesmo bairro, que ficará pronto nos próximos quatro anos, para atendimento dos 350 mil habitantes de Acarí, onde o indíce de infectação pelo mosquito da dengue, de 5,11%, é considerado relativamente alto entre os casos constatados em todo o estado.

O Dia D é umas das principais ações da campanha publicitária de combate à dengue, que este ano terá o slogan “Não dê chance para a dengue”. Serão investidos R$ 12 milhões apenas na divulgação do Dia D. A mobilização é uma das ações previstas no Programa Nacional de Combate à Dengue (PNCD), lançado em julho de 2002.

A estratégia teve reflexos na melhoria do quadro da doença. Em relação ao ano passado, houve uma diminuição de 61,9% dos casos em todo o Brasil. Entre janeiro e setembro de 2003, foram notificados quase 300 mil casos, contra 768 mil registros no ano passado. As maiores reduções foram no estado do Rio de Janeiro (-96%) e Pernambuco (-80,16%) e no Distrito Federal (-88,22%).

Mas a situação não é tão boa em alguns estados. O Amapá teve um aumento de 11,26% nos registros de dengue este ano. O Paraná registrou 78,75% casos a mais e o Ceará aumentou em 70,62%, reforçando a idéia de que as ações de controle da doença não podem ser abandonadas.

Hoje a população deve certificar-se que as caixas d’água estão adequadamente vedadas, colocar areia nos pratinhos de vasos de planta, fechar bem os sacos plásticos utilizados para acondicionar o lixo e manter a lixeira tampada, retirar a água parada das lajes, jogar fora entulhos acumulados nos quintais, entre outras orientações já difundidas.

Aproximadamente 90% dos focos estão nos domicílios. Democrático, ö mosquito não escolhe classe social, raça ou sexo. O inseto mandou para a cama pelo menos 350 mil pessoas no Brasil em 2003, causando cerca de 30 mortes por febre hemorrágica.

A execução dessas recomendações é a melhor maneira de eliminar os potenciais criadouros do mosquito, o que pode prevenir a ocorrência de surtos e garantir um verão tranqüilo a todos os brasileiros.