Detentos cariocas aplicaram falso seqüestro em Alagoas

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Publicado quarta-feira, 9 de maio de 2007 as 10:59, por: cdb

A Polícia Federal investiga uma quadrilha de detentos do presídio Evaristo de Moraes, o “Galpão da Quinta”, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Sete presos extorquiram dinheiro de uma moradora em Alagoas com o golpe do “Disque-Seqüestro”. Ela não teve o nome nem a cidade residente divulgados.

O grupo é suspeito de atuar há pelo menos um ano e tinha até telefones de possíveis vítimas em Buenos Aires, na Argentina, além de capitais e cidades no interior do Brasil, segundo a polícia, que garante que a penitenciária é a central desse tipo de golpe.

A vítima depositou R$ 2,8 mil na conta de Sabina Ferreira da Silva, ex-namorada do detento Jamil Sérgio Ferreira, no dia 27 de março. A moradora de Alagoas contou à polícia, em depoimento, que, por volta das 11h30 do dia, recebeu uma ligação de um homem dizendo que tinha seqüestrado seu filho, e exigindo R$ 20 mil para libertá-lo. Mas, por volta das 13h30, recebeu um telefonema do próprio filho que negou o seqüestro e garantiu que estava bem.

A polícia conseguiu bloquear a conta da agência da Caixa Econômica Federal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde o dinheiro foi depositado antes do saque.

– O dinheiro foi devolvido, mas o crime ocorreu – resumiu o delegado-chefe substituto da Delegacia da PF de Nova Iguaçu, Ricardo de Carvalho.

Colaboração de parentes e conhecidos

Sabina, dona da conta bancária, disse aos policiais que a mãe do ex-namorado, Lindalva Ferreira de Lima, pediu para receber o dinheiro, que seria de parentes de São Paulo. Ao descobrir que estava com a conta bloqueada e avisar que não poderia sacar a quantia, Lindalva teria dito que conhecia uma pessoa capaz de realizar o desbloqueio. A polícia investiga se a quadrilha contava com a colaboração de funcionários da Caixa.

Quando tentavam sacar o dinheiro, a Polícia Federal deteve Lindalva e Sabina, que estavam acompanhadas da cunhada de Jamil, Susane Dias Cavalcante, para prestarem depoimento. Sabina disse que foi procurada pelas outras duas para aceitar o depósito. Jamil Sérgio Ferreira foi o único dos presidiários a confessar o crime.

Informações sobre vítimas de todo Brasil

Na cela três da galeria A do “Galpão da Quinta”, dividida por sete detentos, foram encontrados dois celulares com bateria, um carregador, três chips para alternar as linhas dos aparelhos, um evangelho com anotações de telefones e contas de diversas pessoas do Brasil. Um dos celulares estava escondido no fundo de uma garrafa térmica.

O delegado Ricardo Carvalho informou que os presos sabiam até os carros utilizados pelas possíveis vítimas. As anotações tinham nomes de pais e filhos, telefones celulares utilizados, e endereços de pessoas de mais de cem cidades brasileiras, entre grandes centros urbanos como Curitiba e municípios interioranos como Assis, no Sudoeste Paulista.

– A quebra do sigilo telefônico dos celulares apreendidos e das possíveis vítimas vai ser solicitado – afirmou o delegado Carvalho.

A polícia, que contou com a colaboração da administração do presídio, investiga se os companheiros da cela de Jamil também participaram do golpe, e quem estaria fora do presídio para atuar com as três mulheres. A quadrilha deve ser indiciada por extorsão, de acordo com Carvalho.

O presídio não conta com detectores de metais na entrada de visitantes, segundo a polícia. A entrada dos celulares na prisão vai ser investigada pela Polícia Civil. Agentes da PF acreditam que os telefones entraram escondidos na penitenciária com mulheres.