Desmobilizado um pequeno grupo paramilitar na Colômbia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 6 de dezembro de 2003 as 16:04, por: cdb

O Governo colombiano confirmou neste sábado, que amanhã serão desmobilizados os 160 integrantes das Autodefesas Camponesas de Ortega (ACO), pequeno grupo paramilitar que atua nas montanhas do departamento sulino do Cauca.

Uma eventual divergência de último momento nos termos do acordo que formalizará a entrega das armas por parte das ACO foi superada, segundo sugeriu o ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe Echavarría.

-Estamos muito contentes com o que vemos neste fim de semana-declarou Uribe Echavarría aos jornalistas em Cali, cidade do sudoeste à qual viajou em visita oficial.

O ministro da Defesa afirmou que na área de operações do pequeno grupo haverá “suficiente segurança”, que era a maior preocupação das ACO.

Este grupo, formado nos anos 60 por camponeses, é talvez o grupo dessa natureza mais antigo da Colômbia.

Com 32 mulheres em suas filas, o reduto surgiu para enfrentar os rebeldes de origem liberal da época e, depois da dissolução destes, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), as maiores guerrilhas do país.

A desarticulação das ACO acontecerá no Éden, uma aldeia de Cajibío, localidade cerca de 680 quilômetros a sudoeste de Bogotá e a 24 a norte de Popayán, a capital departamental do Cauca.

O ato será presidido pelo alto comissário para a Paz e a Convivência, Luis Carlos Restrepo, em representação do Governo, e por Ruvinder Becoche e Lizardo Jair Becoche, que na sexta-feira foram reconhecidos pelo Executivo como representantes das ACO.

Também assistirá ao ato como testemunha um representante da Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja identidade não foi divulgada.

A desmobilização das ACO havia sido anunciada em 25 de novembro por Restrepo, depois de presidir a dissolução do Bloco Cacique Nutibara (BCN), que atuava em Medellín e povoações vizinhas a essa capital do noroeste.

Nesse dia entregaram suas armas e equipamentos os 855 membros do BCN, que faz parte do agrupamento Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), encabeçado por Carlos Castaño e Salvatore Mancuso, como seus responsáveis político e militar, respectivamente.

A desmobilização em massa é a primeira efetiva dentro de um acordo que o governo do presidente Álvaro Uribe e as AUC assinaram em 15 de julho último no noroeste colombiano.
O consenso estabelece que essa associação desarticulará de forma gradual seus 13.000 membros do final de 2003 a dezembro de 2005.

Um líder das ACO, identificado apenas como “El Mono”, esclareceu ao diário bogotano “El Tiempo” que seu grupo não faz parte das AUC e que, apesar de ter mantido contatos com Castaño, nunca aceitaram ingressar nessa associação, como também não quiseram ceder ao narcotráfico.

-Não sabíamos que éramos ilegais e sempre estivemos ao lado do governo e não queremos enfrentá-lo; por isso nos desmobilizamos- disse “El Mono”.