Desindustrialização será tema de reunião entre centrais sindicais e Dilma

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Publicado terça-feira, 13 de março de 2012 as 16:15, por: cdb

Desindustrialização será tema de reunião entre centrais sindicais e Dilma

Segundo o presidente da CUT, queda da participação da indústria no PIB exige medidas mais ousadas na macroeconomia, sobretudo em torno de juros e câmbio

Por: Vanessa Ramos, da Rede Brasil Atual

Publicado em 13/03/2012, 19:01

Última atualização às 19:01

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São Paulo – Apresidenta Dilma Rousseff se reunirá amanhã (14) com representantesdas centrais sindicais, no Palácio do Planalto. Será o terceiroentre Dilma e representantes do movimento sindical em bloco.Em reunião preparatória realizada hoje (13), as centrais buscaram pontos em comum a serem abordados. “Falaremos sobre políticamacroeconômica, desindustrialização, o fim do fatorprevidenciário, o reajuste das aposentadorias, a Convenção 151 daOIT (que trata das negociações coletivas no setor público) e otema da terceirização”, relatou o presidente da CUT, Artur Henrique.

Os sindicalistas estãopreocupados com o enfraquecimento da indústria nacional,em grande parte devido à falta de competitividade dos produtosdomésticos no exterior em função da guerra cambial. O própriogoverno identifica em vários países uma desvalorização artificialdas moedas locais em relação ao dólar, enquanto internamente oBrasil luta para conter uma valorização excessiva do real – que tem dificultado negócios para o setor exportador.

“Vamos debater nareunião o risco da desindustrialização. O Brasil cada vez maisestá se tornando um exportador de matéria-prima, como soja,petróleo, café, açúcar e cana. Na outra ponta, não estamosagregando valor à nossa indústria com a exportação demanufaturados”, avalia o presidente da CUT. “A queda daparticipação da indústria no PIB demonstra que são necessáriasmedidas mais ousadas na política macroeconômica. Isso envolvemedidas relacionadas com os juros e com o câmbio.”

O dirigente defende uma tributação maior para quem aposta mais na ciranda financeira do que a praticada para empresários que “queiraminvestir na compra de máquinas, ampliar o seu negócio, gerar maisemprego e mais renda”. E alertou ainda sobre os “perigos” de os ajustesfinanceiros em socorro à crise bancária na Europa estimularema migração de capital especulativo para o Brasil: “Temos detomar cuidado para que os recursos não venham apenas para oinvestimento em títulos do governo”.

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, concordou: “A nossaindústria é fundamental, não podemos ser um país de exportaçãode commodities em detrimento da possibilidade de vendermos mercadoriacom valor agregado”, disse. Para osecretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, oJuruna, “a retomada de conversa direta com Dilma será um momento importante”.

As centrais pretendem dar continuidade aos temas que veem sendo discutidos com a Secretaria Geral da Presidência da República. “São váriosassuntos já debatidos, como o protocolo que prevê garantias para ostrabalhadores da construção civil, assinado na semana passada, e aquestão dos aeroportos”, lembra Artur.

Terceirização

Ele destaca acriação do Fórum Nacional dos Trabalhadores Ameaçados pelaTerceirização, no ano passado, com o objetivo de pressionar oCongresso Nacional. As diversas entidades que compõem o fórum veem como prejudiciais aostrabalhadores projetos em tramitação no Legislativo, por considerar que facilitam a precarização dos empregos por meio douso indiscriminado de mão de obra terceirizada. 

Leia a reportagem “Falso brilhante”, sobre os problemas da terceirização, na edição de março da Revista do Brasil

Oprojeto em estágio mais avançado na Casa é de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), relatadopor Roberto Santiago (PSD-SP) e apoiado por Paulo Pereira da Silva(PDT-SP), presidente da Força. “Esse projeto é frontalmente contrárioaos interesses da classe trabalhadora. Queremos avançar numa regulamentação da terceirização que não permita a deterioraçãodas condições de trabalho”, afirma Artur.