Desempregados protestam com sangue no Peru

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Publicado quinta-feira, 20 de novembro de 2003 as 00:31, por: cdb

Em uma série de protestos realizados na última quarta-feira no Peru, dezenas de desempregados seminus cortaram seus corpos para exigir ‘com sangue’ ser reintegrados a seus postos de trabalho. Paralelamente, centenas de camponeses bloqueavam um caminho com danças para pedir asfalto nos Andes.

Em Lima, cerca de 50 entre 400 pessoas caminharam com roupa íntima em frente do Ministério do Trabalho, cortando as costas ou picando as veias com agulhas hipodérmicas para exigir suas recontratações, após as demissões durante a década de governo do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).
 
Quando os manifestantes uniram-se para derramar em grupo seu sangue, ocorreu um enfrentamento com cerca de 50 policiais, que os repeliram lançando potentes jatos d’água.

– Fomos injustamente despedidos e agora só nos resta nos esvairmos em sangue para que nos ouçam. Com sangue exigimos reposição a este governo que se diz democrático – disse o secretário-geral da Confederação de Trabalhadores do Peru, Elias Grijalba.

– Foram 320 mil os despedidos. Exigimos que somente 10% sejam repostos porque muitos já morreram – completou.

O protesto de Lima não foi o único enfrentado pelo presidente Alejandro Toledo, que assumiu a presidência em 2001. Nos Andes, centenas de camponeses chegaram da vila de Acolla com um traje típico normalmente utilizado em uma dança triste na Semana Santa.

O governo peruano enfrenta ainda uma greve de 14 mil médicos, que há três dias reclamam aumentos.
 
– Há 13 anos não nos aumentam – lamenta o presidente da Associação Nacional dos Médicos, Rafael Deústua.