Descoberto gene que causaria determinada forma de autismo

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Publicado quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003 as 20:03, por: cdb

Pesquisadores norte-americanos anunciaram a descoberta de uma nova ligação genética do autismo e sugeriram que a abordagem poderia ser usada para detalhar também as causas genéticas de outras doenças. O novo método separa os pacientes por seus sintomas.

A pesquisa também sugere que várias causas diferentes podem estar por trás do autismo, um distúrbio de comportamento incômodo e cada vez mais comum, que confunde igualmente pais e médicos.

O novo estudo, publicado na American Journal of Human Genetics, relaciona certos tipos de autismo a um lugar no cromossomo 15, ligado a vários outros distúrbios.

Ele já havia sido suspeito de estar relacionado ao autismo, mas os pesquisadores não foram capazes de mostrar que as pessoas com certas versões de genes no cromossomo 15 eram mais propensas a ter a doença.

A equipe do Centro Médico da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e na Universidade da Carolina do Sul decidiu separar crianças autistas por seu real comportamento.

O autismo, que afeta uma em cada mil crianças nos Estados Unidos, é definido por uma grande variedade de sintomas, muitos dos quais são apenas uma exacerbação do comportamento normal da infância.

No Brasil, existem mais de 10 mil crianças menores de 5 anos portadoras do distúrbio, segundo o site da Associação dos Amigos do Autista, filiada à Associação Brasileira de Autismo.

“Todas as crianças com autismo, por definição, têm alguma forma de comportamento repetitivo”, disse em entrevista por telefone o psicólogo infantil Michael Cuccaro, que ajudou a dirigir o estudo.

“Um tipo de autismo clássico pode ser fazer algo com as mãos e os braços. A criança pode batê-los, agitá-los na frente dos olhos”, acrescentou.

A equipe de Cuccaro concentrou-se em crianças com outros sintomas.

“São crianças que, se você mudar os móveis no quarto, ficam extremamente perturbadas e têm dificuldades com isso. Se elas normalmente iam para a cama às 7h30 e antes disso tomavam um banho e vestiam seu pijama, passarão a ter grande dificuldade com isso se for mudado”, disse o especialista.

Mutações semelhantes
Quando essas crianças especiais foram separadas, os pesquisadores conseguiram encontrar uma série de mutações no cromossomo 15, que pareciam ser semelhantes, disse a Dra. Margaret Pericak-Vance, geneticista de Duke que liderou o estudo.

Eles usaram um truque estatístico, mas o checaram duas vezes e a associação ficou clara, acrescentou a especialista.

Tanto ela quanto Cuccaro disseram que isso sustenta o que muitos pesquisadores já disseram – que o autismo é uma doença complexa e que não pode ser causada pela mesma coisa em cada paciente.

“É como qualquer doença complexa, há uma série de causas subliminares para isso e elas se manifestam de modo similar. A próxima coisa a ver são possíveis interações entre os genes nessa região, que parece estar envolvida com uma série de distúrbios diferentes”, disse.

A Dra. Pericak-Vance declarou que sua equipe já estava testando a nova abordagem para separar diferentes tipos do mal de Alzheimer.

Essa doença degenerativa do cérebro tem formas diferentes – algumas podem ser vistas mais cedo que outras – e a geneticista espera que o método possa encontrar uma diferença genética entre elas.

O gene no cromossomo 15 que parece ser afetado nos portadores de autismo controla um neurotransmissor chamado GABA.

Esse neurotransmissor químico age para “desligar” as células cerebrais.

Como o comportamento observado nessas crianças parece ser uma versão extrema do que toda criança faz uma vez ou outra, talvez estes sintomas em particular sejam causados pela incapacidade do cérebro de “desligar” um sinal.

Em outras palavras, o cérebro não sabe quando parar, o que gera o comportamento obsessivo.

A pesquisa pouco fez para responder a perguntas sobre se causas ambientais que levariam ao autismo, disse Cuccaro.

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