Deputados russos discutem terror sem dar espaço à oposição

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Publicado quarta-feira, 22 de setembro de 2004 as 13:53, por: cdb

O Parlamento russo, dominado por aliados do governo, reuniu-se na quarta-feira pela primeira vez depois do massacre da escola de Beslan prometendo tornar mais duras as leis antiterror, mas rejeitando a participação de deputados opositores no processo.

Os parlamentares fizeram um minuto de silêncio no início da sessão para homenagear as mais de 320 pessoas, metade delas crianças, mortas em Beslan (sul).

Mas a Duma, que, segundo alguns deputados, deveria ter sido convocada assim que houve a ocupação da escola por separatistas chechenos, em 1o de setembro, não citou a insatisfação dos moradores de Beslan com as medidas tomadas pelo governo antes e depois do final da tragédia.

Segundo os moradores, policiais corruptos permitiram a entrada dos militantes na cidade, o atendimento médico foi precário e os serviços de segurança falharam no final do episódio.

“O atual sistema de leis antiterror é insuficiente”, disse o presidente da Duma, Boris Gryzlov, um aliado fiel do presidente Vladimir Putin.

Putin já propôs acabar com as eleições diretas para a escolha da maior parte das autoridades a fim de supostamente fortalecer o aparato estatal. A Duma também avaliará projetos de lei para aumentar o controle sobre as armas de fogo e para criar novos métodos de vigilância sobre a movimentação das pessoas dentro do país.

Alguns deputados sugeriram a retomada da pena de morte, sob moratória desde 1996.

Os deputados situacionistas ainda trataram de afastar os oposicionistas do debate. Uma tentativa de colocar um deputado independente na comissão que investiga a tragédia de Beslan não obteve votos necessários para ser aprovada. Também não obteve quorum uma sugestão de discutir a política adotada pelo país para a Chechênia.

Segundo a oposição, o governo precisava rever toda a sua estratégia de combate ao terrorismo. “Precisamos discutir como as autoridades criaram as raízes do problema enfrentado hoje”, afirmou o deputado comunista Vladimir Grishukov.