Deputado baiano Walter Pinheiro nega fama de radical

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Publicado segunda-feira, 1 de dezembro de 2003 as 09:40, por: cdb

O deputado federal baiano Walter Pinheiro, que nega a fama de radical, acha que incoerente mesmo é a discussão sobre a criação de um novo partido, de acordo com o jornal A tarde. Pinheiro, que é da tendência “Democracia Socialista” (DS), considerada da esquerda do PT, ficou 60 dias excluído da bancada do partido na Câmara Federal, devido a seu posicionamento na votação da reforma da Previdência.
    

Ele se absteve de votar no primeiro turno. No segundo turno, votou contra a proposta elaborada pelo Governo presidido pelo partido ao qual é filiado. Pinheiro também é integrante do “Grupo dos 30”, que reúne parlamentares petistas contrários a posicionamentos do Governo Federal, como o recente acordo com o FMI. Desse grupo, apenas oito, Pinheiro entre eles, votaram contra o Governo na reforma da Previdência.
    

—A postura do Grupo dos 30 é diferente das dos três (Babá, Luciana Genro e João Fontes), pois diverge de questões pontuais. Eles fazem críticas constantes ao Governo— diferenciou.

—Como diria Magri (Ministro do Trabalho o governo Collor), não acho nem ‘desacho’ nada sobre a formação de um novo partido. Para mim é uma opção ruim. O momento é de tentar fazer a disputa dentro do PT— completou.
    

Para Pinheiro, o Governo não aderiu ao mercado nem traiu suas linhas históricas e, por isso, o momento é o de disputa para corrigir rumos do Governo, principalmente na condução da política econômica.

—Toda a esquerda brasileira tem um compromisso com esse Governo, tem a responsabilidade de construir o caminho. Se o Governo for mal, leva toda a esquerda junta— disse.
    

Pinheiro defende o PT e os companheiros ameaçados de expulsão, afirmando que não existe oposição cega e que as divergências ocorrem a partir da análise de conteúdo das propostas. Para ele, foi o PFL que adotou a postura de ser contra tudo o que é governo.

—Eles sempre votaram a favor da reforma da Previdência. Agora, não propõem nada, não discutem o conteúdo. São contra só por ser contra. É a história: é Governo, sou contra—disse Pinheiro.