Depois que curdos tomaram posições iraquianas, reina a prudência

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Publicado domingo, 30 de março de 2003 as 15:44, por: cdb

Os combatentes curdos ocupavam este domingo antigas posições do exército iraquiano, que se recolheu até os arredores de Kirkuk (norte do Iraque). Assim, esta cidade pode se tornar muito difícil de conquistar, o que preocupa tanto a Turquia, quanto o Irã.

Abbas Ali não escondia sua alegria na última sexta-feira (28) diante do avanço dos combatentes da União Patriótica do Curdistão (UPK, de Khalal Talabani), que já ocupam posições iraquianas nas imediações de Kirkuk, uma estratégica região petroleira.

Abbas se precipitou para as posições “liberadas”, situadas perto de seu povoado, do qual fugiu há mais de dez anos, após a repressão ao levante turco, em 1992, por parte do exército iraquiano.

O povoado já estava praticamente em ruínas. As forças do regime iraquiano destruíram várias localidades curdas durante a última onda de repressão anticurda.

Os soldados iraquianos “levaram tudo com eles e não deixaram nada para trás”, comentou este homem, de 50 anos.

Feliz, um comandante da UPK garante aos jornalistas que “o exército iraquiano está acabado”, mas uma volta rápida pelas posições abandonadas deixa dúvidas.

Segundo um oficial da inteligência curda, as unidades que estavam ali não pertenciam ao exército regular iraquiano, mas aos fedayines de Saddam ou eram “voluntários de Al Qods”, corpos muito mais combativos e cujos membros são originários do centro do Iraque, uma região de maioria sunita incondicional de Saddam Hussein.

As informações que os peshmergas, os combatentes curdos, receberam de desertores iraquianos ressaltam que as posições do Iraque estavam nas mãos de dois mil membros das forças paramilitares iraquianas e agora estão entrincheiradas em Kirkuk para reforçar a defesa da cidade.

Nestas condições, o entusiasmo se reduz rapidamente e os oficiais curdos consideram que um avanço para Kirkuk e Mossul, regiões reivindicadas pelos curdos e que contam com a terceira parte das reservas de cru iraquianos, terá de esperar.

Segundo os analistas, os curdos têm boas razões para deter sua marcha. Afinal, o apoio americano com o qual podem contar é escasso no terreno, já que os EUA não conseguiram introduzir no Curdistão mais do que dois mil homens. A Turquia dificultou a operação ao rejeitar o pedido americano para que a artilharia americana passasse por seu território.

Assim, a prudência reina no comando conjunto curdo, formado pela UPK e o Partido Demócratico Curdo (PDK, de Masud Barzani). Cada um deles controla uma parte do Curdistão.

Duas potências regionais – como Turquia e Irã – estão preocupadas com o avanço curco para as regiões petroleiras e pela possibilidade de que aumente o sentimento nacionalista curdo nestes países.