Depois de gafe, Papa admite injustiça colonial na América

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Publicado quarta-feira, 23 de maio de 2007 as 10:45, por: cdb

O papa Bento 16 procurou amenizar em um discurso nesta quarta-feira os efeitos das declarações que deu no Brasil a respeito da evangelização de índios pelos colonizadores europeus.

O sumo pontífice havia dito durante sua viagem ao Brasil que a evangelização na América Latina não foi imposta e nem alienou os índios – mas agora ele admitiu que ocorreram excessos durante o processo histórico, iniciado com a chegada dos Europeus ao continente.

“O anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira”, havia dito o papa em seu último dia no Brasil, ao discursar na inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida do Norte (SP).

Mas, ao fazer um balanço da visita durante a tradicional audiência das quartas-feiras, Bento 16, amenizou suas declarações.

“Não podemos ignorar os sofrimentos e as injustiças impostas pelos colonizadores às populações indígenas, cujos direitos humanos e fundamentais foram freqüentemente ultrajados”, disse.

Enquanto se referia à evangelização no continente, Bento 16 classificou de “crimes injustificáveis”, os excessos cometidos pelos colonizadores, e disse que estes já tinham sido condenados antes por missionários como Bartolomeu de las Casas e teólogos como Francisco de Vitória, da Universidade de Salamanca, na Espanha.

Fé e cultura

Bento 16 lembrou que seus antecessores João Paulo 2º e Paulo 6º tinham falado sobre a relação entre a fé e a cultura na América Latina em outras ocasiões. Ele voltou ao assunto, confirmando que não se pode ignorar as “sombras que acompanharam a evangelização do continente latino-americano”.

Durante a audiência, o papa disse que, depois de dois anos de pontificado teve finalmente a felicidade de poder visitar a América Latina, “que tanto amo e onde vive grande parte dos católicos do mundo”.

“Agradeço ao presidente do Brasil e a outras autoridades civis a cordial e generosa colaboração”, afirmou.

“Com grande afeto, agradeço ao povo brasileiro pelo calor com que me recebeu, que foi verdadeiramente grande, e pela atenção que prestou às minhas palavras.”

Bento 16 falou também do encontro que teve com os jovens latino-americanos, da canonização do Frei Galvão, da visita à Fazenda da Esperança e da conferência de Aparecida.

No final da audiência, agradeceu, em português, aos brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília presentes na Praça de São Pedro.