Depoimento de Mattoso selou a presença de Palocci no governo

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Publicado segunda-feira, 27 de março de 2006 as 13:35, por: cdb

Presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira na sede da Polícia Federal e selou o destino de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. Ele foi convidado a explicar as circunstâncias em que ocorreram a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Mattoso já havia sido convocado a depor na quinta-feira, mas alegou compromissos pessoais para não comparecer à PF. O presidente Lula, que estava em Curitiba, de onde retornaria apenas no meio da tarde, mas antecipou o regresso a Brasília para se reunir com o conselho político do governo, do qual participam os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Dilma Roussef (Casa Civil) e Jaques Wagner (Relações Institucionais).

A PF tomou a decisão de não divulgar os nomes dos funcionários da Caixa até que as investigações avancem e consiga provas materiais de que foram eles que tiraram o extrato bancário do caseiro. Além disso, a PF quer saber ainda de quem partiu a ordem para quebrar o sigilo de Francenildo. Nesta sexta-feira, à noite, a PF ouviu um dos dois usuários do laptop usado para quebrar o sigilo do caseiro. A expectativa é que o segundo usuário do computador seja ouvido ainda hoje. A PF também está atrás do terceiro suspeito de envolvimento com a quebra do sigilo de Francenildo. A suspeita recai sobre uma funcionária de nível hierárquico superior.

– Não serão divulgados os nomes dos servidores para preservar a intimidade e garantir o direito a ampla defesa e ao contraditório – disse um assessor da Polícia Federal.

Ainda na sexta-feira, a PF recebeu o laptop que supostamente foi usado na quebra do sigilo de Francenildo. A máquina havia sido levada por um dos suspeitos para São Paulo. Após ser localizado, o equipamento foi lacrado e enviado para a PF, onde será periciado. Apesar de ter sido vítima da quebra ilegal de sigilo bancário, Francenildo passou a ser investigado pela Polícia Federal a pedido do Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras) por suposta lavagem de dinheiro. Responsável pela investigação que apura o culpado pela quebra ilegal do sigilo, a PF solicitou para a Justiça a abertura dos sigilos telefônico, fiscal e bancário do caseiro.

O sigilo do caseiro foi quebrado após seu depoimento à CPI dos Bingos. Ele afirmou à comissão ter visto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, várias vezes na casa alugada em Brasília pelos seus ex-assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto. A CPI suspeita que a casa era usada para negociatas envolvendo integrantes do governo e festas com prostitutas. A quebra ilegal dos dados bancários configura violação da lei de sigilo bancário (nº 105/2001) e a pena é de um a quatro anos de reclusão para o autor da quebra.