Delegado Porcelli pode ser afastado do caso Toninho do PT

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Publicado sexta-feira, 7 de dezembro de 2001 as 19:50, por: cdb

O presidente da Câmara Municipal de Campinas, Romeu Santini (PSDB), e o advogado criminalista Ralph Tórtima Stettinger, que representa a prefeitura e a família do prefeito assassinado Antonio da Costa Santos, pediram o afastamento do delegado seccional Osmar Porcelli das investigações sobre o assassinato de Toninho do PT, como era chamado o prefeito, ocorrido em 10 de setembro deste ano. Santini protocolou, nesta sexta-feira, na Câmara Municipal, moção em que pede o afastamento de Porcelli. A moção deve ser votada pelos vereadores na próxima segunda-feira e encaminhada à Secretaria Estadual de Segurança, caso aprovada.

No documento, Santini define a permanência de Porcelli no caso como “obstáculo aos anseios da comunidade campineira” e diz que o delegado “comprovadamente cometeu uma série de falhas no processo de investigação”. Segundo o texto da moção, o delegado cometeu quatro falhas consideradas graves. São elas a prisão de três dos quatro suspeitos do assassinato por quase dois meses sem provas que os incriminassem; a devolução à seguradora do Vectra prata abandonado próximo ao local do crime; o depoimento de uma testemunha que se disse pressionada pela polícia para revelar o que não viu; e o assassinato de quatro seqüestradores em Caraguatatuba por policiais campineiros.

Há suspeitas, ainda não comprovadas, de que dois dos seqüestradores estariam envolvidos na morte do prefeito. A Ouvidoria estadual está investigando o caso e apontou que há indícios de que os policiais de Campinas executaram as vítimas. O advogado criminalista também anunciou publicamente, nesta sexta, a intenção de oficializar o pedido de afastamento ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário de Segurança, Marco Vinicio Pettreluzzi.

“Entendemos que Porcelli preside de fato o inquérito e não demonstra imparcialidade para isso”, alegou. Oficialmente, o inquérito é presidido pelo delegado do setor de homicídios de Campinas José Roberto Micherino Andrade e supervisionado por Porcelli. Segundo Stettinger, dois fatos precipitaram a decisão de solicitar o afastamento do delegado seccional, que foram a devolução do Vectra prata à seguradora e a declaração de Porcelli de que não havia mais o que investigar sobre o veículo.

Para Ralph Tórtima Stettinger Filho, que auxilia o criminalista, a permanência de Porcelli trará dificuldades para a condução do caso. O secretário de Segurança não foi encontrado para falar a respeito e o delegado José Leonardo Pedrozo, diretor interino do Departamento de Polícia do Interior (Deinter 2), ao qual a seccional de Campinas é subordinada, disse, nesta sexta, que não poderia manifestar-se porque não havia sido informado sobre os pedidos.

Tanto Santini quanto Stettinger não se opõem à permanência de Andrade no caso, desde que o inquérito seja assumido pela equipe do Departamento de Homicídio e Proteção às Pessoa (DHPP) de São Paulo, destacada para entrar no caso na segunda-feira passada. Um dos motivos que levam os advogados criminalistas e os promotores públicos que acompanham o caso a insistir na investigação sobre o Vectra é um laudo anexado ao inquérito.

No documento, há a informação de que projéteis disparados por uma pistola nove milímetros durante o seqüestro de uma criança de nove anos, em frente ao Ministério Público, há cerca de dois meses, coincidem com o projétil encontrado no corpo de Toninho. A informação foi confirmada, nesta sexta, por uma das pessoas que acompanham o caso. Mas seria necessário apreender a pistola para confirmar que os projéteis das duas ocorrências partiram dela.

A nove milímetros usada para matar o prefeito permanece desaparecida. Os seqüestradores da criança integram a quadrilha de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, da qual faziam parte também os seqüestradores mortos no litoral. O menino de nove anos ficou 24 dias em cativeiro.