Delegado da Polícia Civil é baleado no Complexo do Alemão

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Publicado quarta-feira, 3 de agosto de 2016 as 10:12, por: cdb

As investigações começaram há um ano, depois que uma equipe policial se infiltrou na comunidade e filmou a ação dos criminosos

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

 

O titular da Delegacia de Combate às Drogas da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Dcod), delegado Felipe Curi, foi baleado nesta quarta-feira durante uma operação policial contra o tráfico de drogas no Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, o ferimento não foi grave e o delegado passa bem.

Até o momento, cinco pessoas foram presas durante a operação
Até o momento, cinco pessoas foram presas durante a operação

A chamada Operação Germânia envolveu 450 policiais civis e militares, que buscam cumprir mandados de prisão contra suspeitos de intregrar a quadrilha responsável pelo comércio de drogas na região.

As investigações começaram há um ano, depois que uma equipe policial se infiltrou na comunidade e filmou a ação dos criminosos.

Com base nas evidências, a Justiça expediu mandados de prisão em nome de três acusados de chefiar a organização criminosa, entre outras pessoas: Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marchinho VP, Edson Silva de Souza, o Orelha, e Marcelo de Souza Fonseca, o Marcelo Xará.

Até o momento, cinco pessoas foram presas durante a operação.

Lavagem de dinheiro

Em um desdobramento da Operação Dominação, a Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam na terça-feira o policial federal Leonaro Siqueira e o ex-chefe de segurança do presídio de segurança máxima Ary Franco, Iclair Oliveira. Os dois foram denunciados ao Juízo de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, como integrantes de uma organização criminosa que envolvia agentes públicos de Arraial do Cabo, acusados de peculato e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

O agente penitenciário foi preso em casa, na capital fluminense. Ex-chefe de segurança do presídio, entre janeiro e dezembro de 2015, Oliveira é acusado de permitir que o líder de uma quadrilha de traficantes conhecido como Chico da Ecatur usasse equipamentos de comunicação como celulares, tablets e computadores para comandar um grupo dentro do presídio. Chico da Ecatur é pai de Cadu Playboy, preso  em janeiro do ano passado, na primeira fase da Operação Dominação,

O policial Leonardo Siqueira também foi preso em casa no município de Arraial do Cabo. As provas indicam que ele atuou como informante da organização criminosa, repassando a Chico da Ecatur dados sigilosos da investigação.

A denúncia e as prisões preventivas decretadas pela Justiça tiveram por base uma nova investigação, na qual se descobriu que a quadrilha planejava matar um promotor de Justiça e um delegado da Polícia Federal. Por esse motivo, em junho, foi deferida a transferência de Chico da Ecatur para um presídio federal.

Na operação de hoje, também houve condução coercitiva de testemunhas nos municípios do Rio e de Arraial do Cabo, que prestaram depoimento e foram liberadas. Os presos foram levados para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Denúncia

De acordo com a primeira denúncia, liderada por Cadu Playboy, a quadrilha era integrada à facção criminosa Comando Vermelho e atuava no comércio de drogas em pontos de venda implantados e mantidos em localidades da Região dos Lagos. Playboy também adquiria e recebia de fornecedores e associados armas de fogo e munição de diversos calibres, além de auxílio de outro denunciado, João Paulo Firmiano Mendes da Silva. Espécie de chefe ativo, João Paulo era integrante da mesma facção criminosa e chefe da comunidade da Mangueira, no Rio.

A quadrilha também praticou crimes eleitorais no primeiro turno das eleições de outubro de 2014. Cadu Playboy arregimentou moradores de Cabo Frio e São Pedro da Aldeia para a compra de votos e boca de urna em favor de candidatos a deputado estadual e federal. O grupo chegou a praticar atos de violência para afastar cabos eleitorais adversários. O objetivo era lançar a candidatura vereador, no pleito deste ano, de pessoas da comunidade ligadas ao tráfico.