Delegações se reunirão novamente para discutir a crise nuclear norte-coreana

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 01:11, por: cdb

As delegações da China, Estados Unidos, Coréia do Norte, Japão, Rússia e Coréia do Sul, que desde a quarta-feira estão reunidas em Pequim para buscar uma saída para a crise nuclear norte-coreana, voltarão a se encontrar na capital chinesa dentro de dois meses.

Os responsáveis dessa delegação, dirigida pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores, Alexander Losiukov, destacaram nesta quinta-feira que a prorrogação das conversações, que encerram oficialmente nesta sexta-feira, é um assunto urgente ‘que não deve ser atrasado’.

O anúncio de que o diálogo multilateral vai continuar é uma notícia positiva para os participantes nas conversações do Palácio Diaoyutai, mas também uma prova de que as atuais negociações não chegaram a resultados concretos, como se temia no início.

Da mesma forma que nas conversações entre os EUA e a Coréia do Norte, com a mediação da China, realizadas em abril em Pequim, as negociações destas dias foram paralisadas por não haver acordo entre Washington e Pyongyang, já que os americanos se negam a assinar o tratado de não-agressão conforme o solicitado pelos norte-coreanos.

A Coréia do Norte quer este pacto por temer uma intervenção militar americana como a que aconteceu no Iraque, e assegura que é a condição básica para interromper o programa nuclear que foi o pivô das tensões.

O próprio Losiukov já tinha declarado ao chegar em Pequim, na segunda-feira passada, que contemplava o início desta mesa com ‘discreto otimismo’, já que a Coréia do Norte tinha concordado com o diálogo multilateral, pois não havia uma previsão de resultados definitivos imediatos.

Fontes ligadas a Losiukov citadas nesta quinta-feira pela agência estatal chinesa informaram que a Rússia, ao lado da China, teoricamente aliada da Coréia do Norte, duvida que o governo norte-coreano tenha armas nucleares, apesar dos EUA suspeitarem que Pyongyang armazena duas ogivas e que pode ter mais seis em poucos meses.

– Não descartamos totalmente que a Coréia do Norte tenha instalações nucleares, mas isso não significa que tenha armas de destruição em massa – declarou o chefe da delegação russa.