Delações de Odebrecht indicam que esquema de corrupção começou na era FHC

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Publicado terça-feira, 9 de agosto de 2016 as 13:55, por: cdb

Até agora, as informações prestadas por Marcelo Odebrecht aos procuradores da Operação Lava-Jato já somam 30 anexos, sendo que alguns tratam exclusivamente do suposto pagamento de propinas a políticos do PMDB, entre eles o presidente de facto, Michel Temer

 

Por Redação – de Curitiba

 

A delação do empresário Marcelo Odebrecht, preso desde junho pela Operação Lava-Jato, tem causado um estrago nas hostes do governo que sustenta o golpe, em curso no Parlamento. Citado na manhã desta terça-feira no plenário da comissão que vota o impedimento da presidenta Dilma Rousseff, no discurso do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Odebrecht deixou consignado, na pré-delação — em análise pela Justiça —, que o caixa dois e o pagamento de propinas a políticos por meio de doações eleitorais são expedientes conhecidos pela classe política, desde meados dos anos 1990, ainda na gestão do presidente tucano, FHC. O volume de dinheiro, porém, foi ampliado na década passada, após a descoberta do pré-sal e com o estabelecimento do esquema de corrupção na Petrobras. Os contratos com a estatal, segundo o executivo, atingiram a casa dos bilhões de reais.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht permanece preso em Curitiba, enquanto negocia a delação premiada

Até agora, as informações prestadas por Marcelo Odebrecht aos procuradores da Operação Lava-Jato já somam 30 anexos, sendo que alguns tratam exclusivamente do suposto pagamento de propinas a políticos do PMDB, entre eles o presidente de facto, Michel Temer, e seus principais ministros. As informações desses inquéritos foram vazadas a jornalistas dos principais veículos da mídia conservadora.

Odebrecht afirmou aos procuradores, nessa fase inicial da delação premiada, a existência de pagamentos ilícitos, comprovados em documentos da contabilidade da construtora que, garante, podem comprovar o caráter ilícito dos repasses e as suspeitas de envolvimento de políticos beneficiários finais da corrupção. Todo o material do Setor de Operações Estruturadas da empresa, o conhecido “departamento da propina”, terá os dados comparados às informações prestadas pelo empresário e por outros candidatos a delatores ligados à companhia.

A área de pagamentos de propinas foi descoberta a partir do depoimento da secretária Maria Lúcia Tavares Guimarães, que fez delação premiada e entregou documentos que mantinha em casa. Guimarães também orientou a Polícia Federal (PF) a localizar outras provas que ratificam a investigação, como e-mails trocados pelo executivo Fernando Migliaccio da Silva, além de planilhas, sistemas informatizados e comunicações realizadas por meio seguro (conhecido como sistema Drousys).

Após mais de 10 horas de depoimento, o executivo encerrou por hora o fornecimento de informações aos investigadores. A força-tarefa, agora, começa a avaliar a consistência do que foi apresentado até agora. Herdeiro da maior empresa de construção civil do país, Odebrecht tem conversado com agentes da Procuradoria Geral da República (PGR), que estão habilitados a abrir inquéritos contra deputados, senadores, ministros e até o presidente de facto, Michel Temer, que têm prerrogativa de foro e somente poderão ser investigados criminalmente no Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem do Correio do Brasil procurou a assessoria de Imprensa do PMDB, que não retornou até o fechamento desta matéria. A Odebrecht prefere não revelar os termos das delações premiadas, em curso.

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