Decisão sobre a permanência das tropas no Rio é adiada

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Publicado quinta-feira, 6 de março de 2003 as 10:33, por: cdb

O Palácio do Planalto informou que “não foi concluída” a reunião ministerial, ocorrida na noite desta quarta-feira, que iria decidir se o Exército continuaria a policiar o Rio de Janeiro por mais 30 dias após o Carnaval, conforme pedido da governadora Rosinha Matheus (PSB).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia convocado emergencialmente os ministros José Dirceu (Casa Civil), José Viegas (Defesa) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça) para discutir a questão, mas a reunião foi encerrada 40 minutos depois do início para que mais informações fossem coletadas, segundo informações da assessoria do Planalto. A reunião continua nesta quinta-feira.

A permanência das tropas no Rio de Janeiro além do período de Carnaval dividiu a cúpula do Executivo. De um lado, Thomaz Bastos e Viegas queriam que a ação fosse concluída para reforçar o caráter pontual da iniciativa, segundo a Folha apurou. No outro lado, Lula e Dirceu avaliavam que a atuação do Exército no Carnaval do Rio tinha sido satisfatória para conter a violência.

Bastos até aceitaria a permanência das tropas por 30 dias, mas a falta de diretrizes fixas -como o que os soldados poderiam ou não fazer- incomoda o ministro.

Outro ponto em debate durante a reunião foi a morte do professor de inglês Frederico Branco de Faria, 56. Faria ultrapassou uma blitz conjunta do Exército e da Polícia Militar e foi morto por um tiro de fuzil -arma que é utilizada pelo Exército. O episódio causou mal-estar na cúpula do governo, mas foi visto como “caso isolado”, por Lula e Dirceu.

Antes da reunião da noite de quarta-feira, Dirceu defendeu a atuação das Forças Armadas no policiamento do Rio, ao comentar a morte do professor de inglês.

“Não vejo porque aquela tragédia que aconteceu, da morte do professor, possa significar que as Forças Armadas não devam ou não possam fazer ações como essas, de emergência. Aquilo poderia ter acontecido também se fosse uma tropa da polícia Civil ou Militar. Todo o procedimento foi realizado, de aviso e de alerta. Todas as medidas adequadas foram tomadas naquele caso.”

Ele se mostrou simpático à manutenção das tropas no Rio por mais tempo. “Temos um compromisso público que o presidente Lula assumiu com o Rio de Janeiro e com a governadora Rosinha Garotinho”, afirmou.