Decisão de dispensar depoimento de empresário em CPI causa polêmica

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Publicado quinta-feira, 21 de maio de 2015 as 12:02, por: cdb
CPI
Hugo Motta disse que não iria perder tempo com o empresário

Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras protestaram contra a decisão do presidente do colegiado, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), de dispensar o empresário Gerson Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, que disse no início de seu depoimento que iria permanecer calado ao longo da audiência.

– Este senhor é uma figura central no esquema de desvio da Petrobras. Se fizermos o mesmo com todos os empreiteiros, não vamos avançar – disse o deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA), que é policial federal.

– Esta decisão (de dispensar o depoente) abre um precedente grave para a CPI – acrescentou a deputada Eliziane Gama (PPS-MA).

= Desse jeito, só podemos chamar quem fez delação premiada – afirmou o deputado Izalci (PSDB-DF).

– Temos que interrogar o depoente, mesmo que ele não queira falar. E isso não é vontade de aparecer. É vontade de trabalhar – ressaltou o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO).

O presidente da CPI justificou sua decisão.

– Depoimentos de pessoas que não querem falar são improdutivos. Isso aconteceu em Curitiba – disse Hugo Motta.

A decisão de Hugo Motta foi apoiada pelo relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

– Não dá para ficar aqui cinco, seis horas ouvindo discursos políticos nos casos em que o depoente não quer falar nada – afirmou.

O deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) concordou.

– Qual o proveito de interrogar um mudo? Só para ficar ouvindo discursos políticos? – questionou.

Depoimento

– Tenho ciência da importância da CPI e do Congresso Nacional, mas vou exercer o meu direito de não me incriminar, já que sou réu de ação penal da Operação Lava Jato – disse o executivo Gerson Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, no início do depoimento.

Dessa forma, ele foi dispensado pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB). A disposição de Almada de ficar em silêncio irritou os deputados.

– Este senhor participou de quase todas as obras da Petrobras, é ligado ao Milton Pascowitch, que foi preso hoje pela Polícia Federal. É muita cara de pau – afirmou o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI.

Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o empresário “perde uma ótima oportunidade de se defender”.

Almada foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e corrupção, junto com outros executivos e funcionários da Engevix: Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico; Luiz Roberto Pereira, diretor; e Newton Prado Júnior, diretor.

A Engevix participou de licitações para reforma das refinarias Abreu e Lima (PE) e Getúlio Vargas (PR). Entre 2007 e 2014, as empresas do grupo assinaram contratos com a Petrobras no valor total de R$ 4,1 bilhões. Nesse período, transferiram cerca de R$ 7 milhões para contas de empresas de fachada usadas pelo doleiro Alberto Youssef.

O vice-presidente da empreiteira é ligado a Milton Pascowitch, preso hoje pela Polícia Federal na 13ª fase da Operação Lava Jato. Pascowitch é acusado de intermediar propinas da Engevix para diretores da Petrobras e para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Em depoimento à CPI, Vaccari admitiu que conhecia Almada e que houve doações formais da Engevix ao PT, mas negou ter recebido propina da empresa. Ele disse apenas ter conversado com o empresário a respeito de doações oficiais ao partido.

– Ele fez algumas doações e desde então não tivemos mais contatos – disse.