Debate morno mantém fim de campanha inalterado

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Publicado sexta-feira, 4 de outubro de 2002 as 11:20, por: cdb

No último debate da campanha entre os quatro principais candidatos à Presidência, o que predominou foi a ênfase na definição das propostas. Ocorreram ataques entre eles em diferentes partes do encontro, mas numa quantidade menor que nos encontros anteriores.

Um dos mais acirrados ocorreu, mais uma vez, entre Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB), quando repudiaram a responsabilidade pela atual política cambial – apontada como uma das principais causas dos problemas econômicos brasileiros. Serra responsabilizou Ciro, que se esquivou dizendo que esteve no Ministério da Fazenda em caráter de emergência, no início do Plano Real.

Todos os candidatos pareciam preocupados em utilizar termos e expressões de tom categórico para definir o que pretendem fazer à frente do governo do País. Isso ficou claro em quase todos os temas propostos – educação, reforma agrária, aposentadoria e outros.

Quando se discutiu a criação de cotas para negros nas universidades públicas, Ciro, que no passado havia manifestado dúvida sobre o assunto, foi enfático em dizer que é a favor. E também repudiou qualquer tipo de critério científico para definir quem é ou não é negro: “Não toleraremos qualquer critério que não seja o da auto-declaração.”

No debate sobre a reforma agrária, Anthony Garotinho (PSB) e Serra insistiram em que vão refrear a ação do MST. “Não admitiremos invasões de terras e a violação ao direito da propriedade privada”, garantiu o tucano. “Não vou admitir invasões, nem de terras improdutivas”, endossou o ex-governador do Rio.

Quando pressionado por Ciro para explicar a causa dos problemas econômicos do País, o candidato do PSDB reconheceu problemas, mas em seguida fez uma manifestação de otimismo a respeito do futuro do País.

O candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, ironizado por Garotinho e Serra por não dar respostas tão diretas quanto às deles, também bateu firme em determinados momentos.

Um deles foi sobre a flexibilização da atual Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT. O petista disse ser favorável, mas não nos termos atuais: “Definitivamente, não. Flexibilização não gerou nenhum emprego.”

Garotinho, que pareceu durante todo o tempo o candidato mais à vontade entre os quatro, provocou Lula em vários momentos do debate. Logo no início, disse: “Por favor, Lula, responda às perguntas. Você não responde nada.”

Em outro, tentou uma pegadinha, referindo-se à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que lembra em quase todos os debates dos quais participa. Lula deu uma resposta indireta sobre o tema, o que levou Garotinho a afirmar que ele havia confundido o imposto com um “órgão do governo”.

Mas o petista também teve oportunidade de fazer ironia com Garotinho, depois que este se manifestou de forma veemente a respeito da transposição das águas do Rio São Francisco: “Não sou simplista por uma questão de responsabilidade. As coisas não são assim, oito ou oitenta.”

O candidato petista, líder nas pesquisas sobre intenção de voto, foi o mais provocado pelos demais candidatos. Sua maior preocupação foi a de apresentar-se como o candidato mais credenciado para a executar um grande pacto social no País.

Ciro tentou evitar até determinado ponto a fama de pavio curto. Num determinado momento, referiu-se de forma elegante aos outros candidatos de oposição, dizendo: “Se um de nós vencer.” Mas, como das outras vezes, acabou perdendo a paciência com Serra: de tão preocupado em atacar a política econômica do governo, até se esqueceu de uma pergunta que deveria fazer ao tucano, o que levou o apresentador William Bonner a chamar sua atenção.

Serra demonstrou tranqüilidade diante dos concorrentes e das câmeras e e teve a vantagem de dividir o papel de vidraça com Lula, o campeão das pesquisas de voto.

Sem dossiês
A última aparição dos candidatos na mídia foi, de certa maneira, exemplar. Os ataques, dossiês e ameaças não se concretizaram. Os quatro candidatos exploram as duas horas de dur