De repente sessão da tarde

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Publicado domingo, 29 de agosto de 2004 as 23:55, por: cdb

Em cartaz nos cinemas pela segunda semana, De repente 30 é o que se convencionou chamar de uma sessão da tarde. Óbvia classificação que está virando uma espécie de gênero ou sub-gênero (dependendo do jornal e do crítico/ jornalista). Mas é engraçado como esse filão tem se tornado cada vez mais despretensioso e… charmoso. No caso de De repente 30, as más atuações dos protagonistas (Jennifer Garner e Mark Ruffalo) são desagradáveis, mas a ingenuidade do filme em si não faz disso um grande problema. Pelo contrário. A própria retratação da vida aos 30 anos parece bastante rasa, sugerindo um certo desleixo ou falta de qualidade.
 
Veja por exemplo o personagem de John Cusack no filme Alta fidelidade, de Stephen Frears. O filme é citado aqui porque é um típico sessão da tarde, com personagens que podem ser facilmente assimilados como uma extensão dos vividos por Cusack nos anos 80 (que por sinal são figurinhas fáceis na comentada Sessão da tarde). Em Alta fidelidade vemos um filme excepcional, com uma visão dos personagens, na casa dos 30, bem delineada e uma maturidade impecável nas atuações. É exatamente essa maturidade que faz falta à De repente 30. O que faz com que Alta fidelidade seja uma espécie de veterano, inovador no modus operandi dessa ‘classe’.
 
Mas enfim, mesmo não sendo inovadora, a fita diverte porque sessão da tarde é divertido. Já houve a boa surpresa do ano no gênero, que foi Garotas malvadas, com a carismática Lindsay Lohan. Mas os melhores sessão da tarde nos últimos anos (ambos com os dois pés nos anos 80) são Romy & Michelle, Afinado no amor e Matador em conflito – esse também com Cusack. Excluindo Alta fidelidade. De repente 30 e Garotas malvadas são puras fábulas oitentistas cafonas que exercem um fascínio por lembrar de grandes filmes e, de repente sem querer, se apropriar de um pouco de suas qualidades.  

 

LEGENDA: De repente 30: Thriller, Madonna e Rick Springfield