Daniel Day-Lewis retorna às telas após cinco anos

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Publicado sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003 as 14:37, por: cdb

Cada performance de Daniel Day-Lewis costuma ser tão intensa, que muita gente ao discorrer sobre esse ator inglês se esquece de que Minha Adorável Lavanderia, Meu Pé Esquerdo, A Insustentável Leveza do Ser, O Último dos Moicanos e Em Nome do Pai são filmes produzidos e lançados há mais de dez anos. Fato é que Day-Lewis estava ausente do cinema desde 1997, quando interpretou o pugilista irlandês Danny Flynn no longa O Lutador, de Jim Sheridan.

Em seu voluntarioso hiato de cinco anos, Day-Lewis se dedicou à família (ele é casado com a escritora e cineasta Rebecca Miller, filha do dramaturgo Arthur Miller, e teve com ela um filho em 98) e cumpriu várias tarefas diferentes. Uma delas na cidade italiana de Florença, onde se exilou por um tempo, tornando-se aprendiz de um sapateiro local.

Quem trouxe Day-Lewis de volta às telas foi Martin Scorsese, com quem o ator já havia trabalhado em A Época da Inocência (1993). Scorsese precisava do inglês novamente para um filme passado na Nova York do fim do século 19. Em Gangues de Nova York – em cartaz na cidade e que rendeu a Day-Lewis indicação para o próximo Oscar -, Scorsese transporta o ator para sete anos antes do período de A Época da Inocência. Em 1863, Manhattan era uma cidade que vivia um convulsivo problema social: a enorme contingência de imigrantes que desembarcava todos os dias da Irlanda. Nesse cenário, Day-Lewis assume, com bravura e uma rudeza além da compreensão, o papel inspirado no verdadeiro e famoso Bill Poole, açougueiro dândi e chefe de uma gangue de nativos que se opunha ao processo de imigração. Para fins dramáticos, Bill precisa enfrentar a fúria de Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio), que volta para vingar a morte do pai (Liam Neeson), chefe de uma gangue de irlandeses e assassinado pelo rival anos antes.

Por que você aceitou fazer Gangues de Nova York?

Daniel Day-Lewis – Martin procurou-me. Uma vez que você entra na órbita dele, é muito difícil sair. E senti, não sem um pouco de pavor, que estava entrando naquele mundo. E, no final, era mais fácil fazer o filme do que evitá-lo. Digo que senti certo pavor porque, num momento preliminar, não sabia muito bem o que o filme envolveria. E algo também me dizia que seria como entrar num longo túnel sem fim à vista. Não estava 100% convencido de que gostaria de voltar a fazer um filme.

Existem todos esses rumores sobre você…

(interrompendo) Na Inglaterra, acham que sou louco. Mas você não vai perpetuar esse rumor, vai?

Bem, você é tido como um dos melhores atores de sua geração, mas decidiu não trabalhar todos estes anos. O que aconteceu: ficou amargo em relação à profissão e decidiu se aposentar?

(risos) Aparentemente muitas pessoas disseram em meu nome que havia me aposentado. Mas não é verdade. Amo tanto este trabalho, que estou ciente da necessidade de passar um tempo longe dele também. Atuar é como dar doce a uma criança: geralmente o ator não sabe quando parar. E eu, em determinado momento de minha carreira, poderia ter continuado a fazer vários filmes numa velocidade impressionante. Mas, por alguma razão, por um pequeno pedaço de autoconhecimento que me foi dado naquele instante, esse impulso de trabalhar não estava se regenerando em mim. Além disso, outras coisas me interessaram e odiaria ter feito qualquer trabalho que me excluísse de tudo aquilo que estava me dando prazer por fora. Preciso acreditar que tudo o que fiz nesses intervalos foi também uma forma de nutrir meu trabalho. Fato é, que um set de filmagens é um lugar que não me ensina nada.

Como assim?

Vamos dizer que eu passo de seis a oito semanas me preparando para um filme. Pode não ser um aprendizado num nível consciente, mas é uma maneira pela qual você acaba incorporando informações dentro de si próprio. Você está se auto-recheando. Depois, você começa a filmar, começa a dar de si a uma outra pessoa. Todos os ingredientes qu