Curdos aceitariam governador dos EUA caso Saddan fosse deposto

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 12:26, por: cdb

Quase dois terços dos curdos iraquianos aceitariam um militar americano como governador interino do Iraque se o presidente Saddam Hussein for deposto, segundo pesquisa realizada no Curdistão iraquiano e publicada neste sábado, pelo jornal árabe Sharq al Ausat.

Segundo a enquete, feita pelo Instituto do Iraque Democrático (IID) com 913 pessoas em três cidades curdas, 61,88% dos entrevistados defendem a nomeação do general Tommy Franks, chefe do Comando Central dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, para o governo interino do Iraque.

Segundo Hussein Senyary, presidente do IID, apenas 8,98% dos entrevistados foram a favor da indicação de Ahmed Al Yalabi, líder do Conselho Nacional Iraquiano, coalizão de vários partidos e grupos de oposição ao regime de Bagdá e que tem o apoio dos EUA.

Por outra parte, o Comitê Político do grupo da oposição iraquiana “Coalizão das Forças Nacionais Iraquianas” (CFNI), anunciou, em comunicado no mesmo jornal, sua rejeição “aos planos americanos de iniciar um ataque contra o Iraque e à implantação de um governo estrangeiro”.

A nota do CFNI, que reúne vários partidos políticos e personalidades de tendência esquerdista, nacionalista, islâmica e liberal, afirma que “da mesma forma que reafirmamos nosso compromisso de acabar com o regime totalitário iraquiano, rejeitamos uma invasão, uma ocupação e a imposição de uma autoridade estrangeira no Iraque”.

Na opinião do CFNI, isso traria mais sofrimento ao povo iraquiano, que tem sido a principal vítima das políticas de pressão contra o regime de Saddam.

“Longe de qualquer tutela estrangeira, nós exigimos a aplicação no Iraque das resoluções internacionais referidas aos direitos humanos, o julgamento da cúpula governante iraquiana por crimes de guerra e o congelamento de seus bens no exterior”.

O documento também pede apoio à oposição iraquiana “com todos os meios legítimos para que esta seja capaz de realizar eleições livres democráticas com a supervisão das Nações Unidas”.